Sobre perpetuações dissipantes

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Campanha do dia dos pais da Natura foi motivo de ódio nas redes sociais e boicote à marca – Foto: Nappy.com

Por Cristina Tadielo

Uma campanha publicitária de uma determinada empresa de cosméticos veiculada nas redes sociais e demais, vem causando furor em suas mais diversas distinções. Representações, estereótipos, imagens, enfim, conceitos diversos vêm sendo bradados no alto de suas interpretações pessoais, divinas e de distinção humana. 

Fato é que, independente dos reais objetivos da empresa, aflorou-se ainda mais aquilo que chamamos do prévio julgamento sem o crivo da razão, o “bom” e “velho” preconceito. A hostilidade vertente da estruturação segregadora que determina, através de conceitos irracionais, procedimentos de vida ações e reações.  

A Regra é que se deve ser racista, preconceituoso, dissipador pois o que importa é a perpetuação conservadora de uma sociedade arcaica que teima em não se “cosmopolitar”, de valores ditos morais que não contempla a unicidade na medida de sua diversidade. 

Parcialidades políticas, racionalizações exacerbadas encontram-se enraizadas nas ações e nos pensamentos do homem na atualidade, oprimindo a essência integral de valores espirituais, humanos, éticos que define as bases de uma sociedade coerente e de proporções equilibradas. 

Crenças e filosofias se agregam a tudo isso e direcionam a confinante interpretação das definições e subalternam o que de fato se deve levar ao alcance aquilo que é peculiar e inerente na existência de cada um. Sentimentos como amor, afeto, carinho neste sentido, não distinguem a racionalidade humana. 

Recorrente, então, é o apedrejamento àqueles que não aderem a vivência afetiva centrada nos padrões de sustentações ideológicas, mas na percepção de si mesmo justificando ao final os seus meios e suas decisões, por direito e natureza, de como ser. 

A sociedade, desta forma, polariza e se abstém de dinamizar suas práticas, abandonando a intenção de pressupostos mais humanos de convivência perpetuando a mácula desumanizadora que a estrutura. 

Laços de afeto, carinho e solidariedade derivam da convivência entre os seres e não do sangue, haja visto o próprio ordenamento jurídico assim reconhece.  

A família contemporânea na sua diversidade, instituição que historicamente vem se transmutando, busca preservar as propostas das vivências e projetos mútuos, da cumplicidade na relevância do afeto, da solidariedade, da união, do respeito, da confiança, da proteção seguindo ideais pluralistas, solidários, humanistas e democráticos.

Verdadeiro, necessário e pontual é que sentimentos como o amor são atos políticos e, como tal, há que se priorizar aquilo que tutelará a vida independente de suas representações estereotipadas e imagens pré-estabelecidas. A supressão de direitos fundamentais individuais deve advir de causas extremadas enquanto riscos vitais de um todo. Amor na sua essência, na sua polidez, até onde se sabe, jamais foi fator de risco seja de que e de quem for. 

Por derradeiro, imprescindível a valoração do que é humano em toda vivência nas relações e pensamentos como a verdadeira significação da vida, do contrário caminhar-se-á, ainda e por muito tempo pelas veredas do racismo e das mais perversas formas de segregação.

Cristina Tadielo é Advogada, Educadora Psicopedagoga Especializanda em Direitos Humanos e relações Étnicos Raciais; Pós-graduanda em História e Cultura Indígena e Afro brasileira

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