Em meio a protestos, São Paulo aprova criação de escolas cívico-militares na rede pública de ensino

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Nesta terça-feira (21), a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou a criação do Programa Escola Cívico-Militar na rede pública de ensino. Com 54 votos a favor e 21 contra, o projeto agora segue para sanção do governador Tarcísio de Freitas, que é o autor do projeto. Durante a votação, estudantes contrários ao programa, protestaram na Alesp.

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Os manifestantes foram presos pela Polícia Militar, que segundo nota divulgada pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (Anpg), foram agredidos. “Os agentes usaram de violência física e gás lacrimogêneo para oprimir os manifestantes“, diz a nota. Outras instituições como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), também contestaram as prisões.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que um grupo tentou invadir uma área restrita, durante a sessão, e precisou agir. “Houve tumulto e oito pessoas foram detidas, entre elas, seis adultos e dois adolescentes. Eles foram conduzidos à delegacia, onde foram ouvidos”.

Modelo cívico-militar implantado em escola pública do Distrito Federal/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ainda segundo a SSP, os menores foram liberados aos seus responsáveis, e os maiores permaneceram presos, e depois encaminhados para audiência de custódia, na manhã desta quarta-feira (22). Eles receberam liberdade provisória. “A Polícia Militar analisa as imagens da ação e toda denúncia será apurada”, disse a SSP sobre as alegações de uso de força excessiva por parte dos agentes.

O Projeto de Lei Complementar 09/2024, que estabelece o novo Programa, poderá ser adotado em escolas já existentes ou em unidades a serem construídas. Além disso, o texto prevê que antes da implementação da medida, sejam feitas consultas públicas para que a comunidade participe das decisões sobre o modelo.

A intenção é que sejam escolhidas para o programa, unidades que tenham índices de rendimento inferiores à média estadual, assim como altas taxas de vulnerabilidade social e fluxo escolar. Ainda, para ser apta para receber o programa, a escola não pode ter ensino noturno ou ser uma instituição rural, indígena, quilombola e conveniada.

Também não é permitido que ela oferte somente educação de jovens e adultos, e nem ser a única escola da rede pública instalada na cidade. As organizações estudantes classificam a aprovação do projeto parte de “uma série de ataques à Educação e à Ciência paulistas promovidos pelo governador Tarcísio“.

Gestão compartilhada

O texto do projeto afirma que o novo modelo deverá ter um núcleo civil, responsável pela gestão pedagógica e administrativa, e um núcleo militar, responsável pelo desenvolvimento de atividades extracurriculares de natureza cívico-militar, e por “garantir a segurança e a disciplina dentro das unidades“.

De acordo com o Governo, haverá uma gestão compartilhada entre os dois núcleos, compostos por por professores e gestores ligados à Secretaria de Educação, e por policiais militares da reserva que atuarão como monitores do Programa.

Leia também: Senado aprova projeto que institui Programa Nacional de Vacinação em Escolas Públicas

Bárbara Souza

Bárbara Souza

Formada em Jornalismo em 2021, atualmente trabalha como Editora no jornal Notícia Preta, onde começou como colaboradora voluntária em 2022. Carioca da gema, criada no interior do Rio, acredita em uma comunicação acessível e antirracista.

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