Educadora é impedida de falar sobre racismo em igreja frequentada por famíla de Bolsonaro

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O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) participa de culto na Igreja Batista Atitude ao lado da esposa, Michelle Bolsonaro – Fernando Frazão/Agência Brasil

Estava previsto para acontecer na última sexta-feira (19), na Igreja Batista Atitude, na zona oeste do Rio de Janeiro, uma palestra sobre racismo, mas a mesa foi cancelada. Entre os fiéis frequentadores da igreja está a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O caso foi revelado pela Folha de São Paulo. A palestra, organizado pela Juventude Batista Brasileira (JBB) foi cancelada na véspera. A educadora social Fabíola Oliveira recebeu uma ligação comunicando a suspensão da mesa da qual participaria com o pastor Marco Davi Oliveira no Despertar 2019, evento que começou na quarta (17) e terminou neste sábado (20). A mesa com os dois, mais alinhados à linha progressista no meio evangélico, foi substituída às pressas por uma roda de conversa menor com outros convidados. O cancelamento foi atribuído por ela e outros pastores com quem a Folha conversou a setores conservadores da Convenção Batista Brasileira.

De acordo com a publicação da Folha de São Paulo, para Fabíola, vozes mais radicais se fortaleceram após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), que tem esposa e dois filhos —o senador Flávio e o deputado federal Eduardo— frequentando igrejas batistas. Falar sobre racismo seria, nesse novo contexto, algo indigesto, pois o tópico teria ligação com bandeiras históricas da esquerda. A Folha entrou em contato com a Convenção Batista Brasileira, que disse não ter por ora posição oficial sobre o assunto. Orientou a reportagem a procurar um vídeo publicado nas redes sociais em que Amnom Lopes, coordenador de sua ala jovem, fala sobre a conferência cancelada.

Ele diz que, “em tempos de polarização política”, é preciso enxergar que “existe algo muito maior do que essa briga que a gente faz hoje”. “Quem é crente tem a Bíblia como centro”, afirma Lopes antes de pregar que a Bíblia precisa ser superior “a qualquer ideologia política”, completa a Folha.

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