Doutorando em Filosofia é investigado por racismo: “Negro exala um cheiro típico”

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Álvaro Hauschild, aluno doutorando em Filosofia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), enviou uma série de mensagens racistas à namorada de Sérgio Renato da Silva Júnior, um jovem negro, estudante de Políticas Públicas da mesma universidade. As mensagens, que estão sendo analisadas pela polícia, foram enviadas por uma rede social.

O filósofo, de 29 anos, disse que afirma que a mulher “merece coisa melhor”, e faz afirmações como a de que os negros possuem características genéticas diferentes, e exalam cheiro típico.

“Pensa que assim como no gene o negro é dominante, ele também exala um cheiro típico, libera substâncias no ambiente e na troca com parceiros. Por isso, os europeus são protetores, “patriarcais”, porque se não fosse isso eles perderiam potencialmente a etnia. As mulheres sempre foram muito protegidas contra influências de estranhos, sobretudo negros”

diz a mensagem

Quando questionado, Álvaro se colocou como vítima de notícias falsas sobre ele: “está saindo uma enxurrada de fake news muito graves a meu respeito”. O doutorando disse ainda que vai buscar um advogado. Na manhã desta terça (5), ao ser questionado sobre a expressão “exala um cheiro típico”, ele idisse que “não há a menor carga de racismo ou injúria”, e que “deve esse debate às autoridades”.

“Não sou um demônio, não sou racista e não cometi crime. É por isso que ao invés de simplesmente processar eles quiseram usar de meios mais cruéis para fazer de mim um demônio em sociedade. (…) Isso é criminoso, de má fé, algo muito pior que simplesmente chamar alguém de ‘homúnculo’, como o rapaz está dizendo que foi chamado”

disse em entrevista ao portal G1

O caso está na Delegacia de Combate à Intolerância, em Porto Alegre. A titular, delegada Andréa Mattos, confirma que já ouviu Sérgio e a namorada dele, a psicóloga Amanda Klimick, de 23 anos, testemunha dos fatos. Álvaro deve ser ouvido nesta semana.

A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Filosofia afirmou em nota que “examinou de forma tempestiva – e não de agora – uma série de denúncias de discurso discriminatório e de ódio por parte de discente do Programa, recebidas em julho deste ano”.

Amanda e Sérgio foram alvo de mensagens de cunho racista em Porto Alegre — Foto: Arquivo Pessoal

O que diz a universidade

Em nota, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul afirmou que “repudia qualquer forma de discriminação”. “Ressalve-se que, no caso em questão e em toda situação congênere, esta tipificação somente poderá ser caracterizada após a avaliação pelas instâncias competentes, condicionada inicialmente à decisão da direção do curso ao qual o estudante esteja vinculado pela abertura ou não de procedimento investigatório.”

Já o Programa de Pós-Graduação em Filosofia disse que “examinou de forma tempestiva – e não de agora – uma série de denúncias de discurso discriminatório e de ódio por parte de discente do Programa, recebidas em julho deste ano”. Em 12 de agosto, o Núcleo de Assuntos Disciplinares da universidade recomendou a abertura de um processo disciplinar contra Álvaro.

“Nesse sentido, o Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRGS junta-se publicamente à pressão da comunidade universitária e da sociedade civil para que não haja complacência com infrações de nossos códigos disciplinares e, em especial, com violações dos direitos e garantias fundamentais protegidos por nossa Constituição”, diz a nota.

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