Dono de empresa chama promotora de eventos de “puta” e “macaca”

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A promotora de eventos, Danila Bernardo (31), acusa de racismo o dono da agência que presta serviços. Segundo ela, em um áudio enviado pelo Whatsapp, o homem diz que ela é “puta” e “macaca” ao se referir à jovem.

Danila Bernardo é modelo e promotora de eventos – Foto: Redes Sociais

Em entrevista ao Portal G1, Danila afirma que foi contratada para um trabalho temporário e, ao fim do contrato, a promotora entrou em contato com o empresário solicitando o comprovante de pagamento. “Ele me mandou um comprovante de pagamento e eu perguntei sobre os outros, porque os pagamentos seriam feitos em três vezes. Ele me mandou um primeiro áudio falando que estava no banco, que não daria para mandar no momento, mas que mais tarde mandaria. Foi quando eu recebi o segundo áudio”, diz.

Áudio enviado em uma lista de transmissão por engano

“Aquela puta daquela Mila… Mila não, Danila. Vai tomar no cu, viu? Não dá para ser racista não, mas tem hora que tem que chamar de macaca mesmo. Mina chata do caralho. Tô no maior veneno com essa puta dessa macaca do caralho. Agora veio com papo de ‘você precisa somar para saber quanto me pagou’. Eu falei ‘ô querida, você pega todos os comprovantes de depósito que eu fiz para você e soma porque eu não consigo fazer isso agora’”, diz o áudio.

Na gravação, o homem, de primeiro nome Darlan, profere vários palavrões e termos racistas para se referir à promotora. Ainda de acordo com a promotora, a mensagem foi enviada por engano a ela, mas conseguiu baixar o áudio antes de ser apagado. “Depois que eu ouvi que entendi que ele tinha mandado em uma lista de transmissão para as pessoas que foram contratadas para o evento. Ele apagou, mas eu consegui ouvir o áudio. Logo depois fui até uma delegacia especializada e abri o boletim de ocorrência”, afirmou. 

Racismo Velado

Trabalhando por nove anos em eventos, Danila afirma que sofre racismo velado desde sempre, mas foi a primeira vez que foi uma fala tão explícita. “Na hora eu senti repulsa. Eu fiquei tão chocada e indignada que não acreditei no que ouvi. É muito triste e muito revoltante e causa um trauma eterno na pessoa que recebe isso. As pessoas falam que racismo não existe, tratam isso como vitimismo, mas não é”, lamentou. 

Danila ressaltou ainda que não deixará impune a situação. “Além de o áudio ser racista, é um áudio machista. Ele me chamou de puta. Passamos por isso no meio de eventos, mas passamos por isso em shoppings, restaurantes. É humilhante. Quero levar isso para frente por todas as mulheres, mas principalmente pelas mulheres negras que passam por isso o tempo todo”, finalizou. 

O caso foi registrado como injúria racial na terça feira (6), na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), Centro de São Paulo. Até a finalização desta matéria, o empresário não havia se manifestado sobre o caso. 

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

4 Comments

  • Então, ela começou muito bem em procurar uma delegacia de polícia, tipificado o crime, e agora vai dar prosseguimento com ação indenizatória em vara cível, dois problemões para o cara, que depois de tudo isso aprenderá que essa conduta é crime! Ah! Vai ter pagar advogado e indenização a ela!

  • O racismo brasileiro de sempre e quem mais sofreu e sofre com isso é a mulher negra. Fogo nos racistas.

  • […] Leia também: Dono de empresa chama promotora de eventos de “puta” e “macaca” […]

  • Renato Haagensen

    (15/06/2020 - 20:11)

    Esse desgraçado merecia ter nascido morto como todos os racistas. O Brasil é o país mais racista que existe sobre a face da terra pois mascara essa atitude com uma falsa democracia racial. Sou filho de dinamarqueses e tenho diversos, diversos amigos negros, descendentes de índio e mestiços. Na Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia, países escandinavos existem pessoas negras e são repeitadas pela vasta maioria dos habitantes. Se eu disser que não existe preconceito ou racismo em qualquer um desses países acima citados, eu estarei mentindo, mas são praticados por uma minúscula minoria bem ignorante e conservadora e derrotados que não tem capacidade de assumir suas escolhas erradas e preferem colocar a culpa em imigrantes ou pessoas que não são nativas desses países. O Brasil, um país miscigenado em que as pessoas preferem destacar seu 1% europeu e desprezar os outros 99% por cento de mistura índígena, mediterrânea (que não são puros, portugueses) e principalmente africana. Na sua vasta maioria nem conhecem o país de origem de seus sobrenomes às vezes italiano, espanhol ou alemão mas acham bonito ter um sobrenome assim e com certeza também desconhecem o caráter questionável de seus sobrenomes europeus por não saberem a origem, quem eram os verdadeiros donos de tais sobrenomes. Diga-se de passagem que o Brasil é um país colonizado por bandidos, corsários, ladrões, surrupiões e muito mais. Os negros não foram colonizadores, foram trazidos para cá a força e ainda assim, maltratados. O que se esperar dessa descendência? Pura ignorância. O que aconteceu com esta lindíssima jovem negra, acontece com muitas e muitas outras de maneira velada e ninguém faz nada porque, no fundo o seu velado racismo impede. País de gente racista, ignorante e burra. Por isso não progride.

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