Nesta sexta-feira (29), o Brasil celebra o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, marco que completa 29 anos desde sua criação. A data surgiu em 1996, durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas, realizado no Rio de Janeiro. Desde então, tornou-se um símbolo de luta e reconhecimento para mulheres lésbicas em todo o país.
Integrando o Calendário LGBTQIAPN+ da OAB do Rio Grande do Sul em parceria com a Comissão de Diversidade Sexual e Gênero (CDSG), essa é a 19ª data comemorativa oficializada. Ao colocar a mulher lésbica em evidência, o dia também abriu espaço para que o mês de agosto se tornasse uma espécie de “orgulho lésbico”, com destaque para manifestações e debates em torno da visibilidade, representatividade e direitos.

A mobilização ganha força ainda maior a partir do Dia Nacional do Orgulho Lésbico, celebrado em 19 de agosto. Segundo dados do Google Trends, as buscas por “orgulho lésbico” atingem picos neste período, refletindo o aumento do interesse e engajamento popular.
Em Salvador, a visibilidade lésbica se fortalece com a Festa PRECIOSA, idealizada por Marcela Silva, produtora cultural baiana, negra, lésbica e ‘desfem’. A iniciativa se tornou referência por criar um ambiente seguro e acolhedor para mulheres lésbicas. “A PRECIOSA é uma grande celebração”, afirmou Marcela, em entrevista ao G1. Para ela, o diferencial está na experiência proporcionada: “São detalhes, como um banheiro limpo e itens de higiene pessoal, que transformam a festa em um espaço de verdadeiro afeto”.
Apesar dos avanços, Marcela destaca que a visibilidade lésbica ainda é restrita se comparada a outros grupos dentro da comunidade. Ela defende a criação de mais espaços “por e para” mulheres lésbicas, com protagonismo, narrativas próprias e autonomia.
Programação no Museu da Diversidade Sexual
O Museu da Diversidade Sexual (MDS), em São Paulo, preparou uma programação gratuita em comemoração ao Dia da Visibilidade Lésbica. Entre as atividades estão rodas de conversa, oficinas e visitas mediadas, todas com foco nas experiências e conquistas das mulheres lésbicas. Beatriz Oliveira, gerente de conteúdo do Museu, destacou que “a visibilidade é importante para todas as causas que foram historicamente apagadas, como é o caso das lésbicas, que sofrem para além da homofobia, as consequências do machismo e da estrutura patriarcal, acumulando formas de opressão”.
Com mais de dez anos de atuação, o MDS se posiciona como um espaço de acolhimento, arte e celebração da comunidade LGBTQIA+. “É um espaço onde somos protagonistas e somos capazes de contar nossas próprias histórias, e mostrar que apesar das violências […] somos artistas, também amamos e somos amados, somos cidadãos e merecemos ocupar todos os espaços”, afirmou Beatriz em entrevista à Veja.
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