Desaparecimento de indígenas de aldeia Yanomami completa uma semana

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Uma semana após o desaparecimento de 25 indígenas na comunidade Aracaçá, aldeia Yanomami em Roraima, as autoridades ainda não sabem onde estão os moradores da localidade que foi encontrada queimada e vazia no dia 30 de abril. Os indígenas que moravam no local sumiram após denúncia de estupro e morte de uma menina de 12 anos, e outra criança de 3 anos teria desaparecido, todos os casos envolvem garimpeiros ilegais que invadiram o território, segundo a Polícia Federal.

Os indígenas desapareceram dia 30 de abril – Foto: Victor Moriyama/ISA

De acordo com a reportagem de O Globo, os indígenas relataram coação dos garimpeiros para não denunciarem o caso de estupro e que alguns moradores receberam ouro dos invasores para manter silêncio sobre os crimes. Existe a suspeita, de acordo com o conselho indígena, que os moradores da aldeia Yanomami teriam queimado as casas devido a tradição “após a morte de um ente querido”, mas a Polícia Federal informou que ainda não se sabe quem possa ter incendiado o local e que não possuem indícios de crimes na comunidade.

O Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana (Condisi-YY), que esteve no local, em nota, contou como foi a chegada em Aracaçá. “Ao chegar ao local, avistamos a comunidade em chamas e sem a presença de moradores indígenas no local, que só apareceram 40 minutos após pousarmos, somente para resgatar materiais de garimpeiros. Após insistência, alguns indígenas relataram que não poderiam falar, pois teriam recebido 05g de ouro dos garimpeiros para manter o silêncio”, revela a entidade.

Leia também: Câmara cria grupo de trabalho para acompanhar situação dos povos Yanomami

Instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF), Câmara dos Deputados e Ministério Público Federal, se manifestaram sobre os acontecimentos. O STF e o MPF solicitaram uma apuração rigorosa dos fatos e que não deve haver parcimônia, tolerância, atraso ou omissão. A Câmara, através da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), criou um grupo de trabalho para acompanhar a situação dos povos indígenas Yanomami.

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