De acordo com o Anuário de Segurança Pública, 61,8% das vítimas de feminicídio são negras

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O Brasil apresentou um reajuste no número de feminicídio, registrando 1.350 mortes no ano de 2020, um aumento de quase 1%. Os números apresentados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (15), mostram as violências contra meninas e mulheres no ano pandêmico. De acordo com o Anuário, 61,82% das vítimas de feminicídio eram negras, 74,7% entre 18 e 44 anos, e 81,5% mortas por companheiros ou ex-companheiros.

Mulheres negras são as que mais sofreram agressões – Foto: Reprodução

Os dados revelam que houve uma pequena diminuição dos números de feminicídios contra mulheres negras, uma vez que, em 2020, 73% das vítimas de homicídio eram mulheres negras. O Anuário também mostra que houve 60.460 estupros em 2020 e, em 2021, houve uma diminuição de 14,1%.

Pesquisadoras negras evidenciam que o tratamento que mulheres negras receberam ao longo dos séculos construiu uma imagem de posse e objetificação mais aceitável contra elas. A doutora em demografia pela Unicamp, Jackeline Ferreira Romio, para o Instituto AzMina, apontou que a vivência doméstica possui particularidades quando se trata de raça. “Elas não eram agredidas só em seu lar, mas também na rua e na casa de terceiros. Isso demonstra uma grande quantidade de violações vindas de companheiros e ex-companheiros, mas também de outros atores como vizinhos, indivíduos das relações de trabalho e um grande número de desconhecidos”, afirma.

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O Anuário ainda mostra que, em 85,2% dos casos, o autor era conhecido da vítima, 73,7% das vítimas eram vulneráveis e incapazes de consentir e que 60,6% tinham até 13 anos.

61% das vítimas de feminicídios são negras – Foto: Fórum de Segurança Pública

Violência contra crianças e adolescentes

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, as vítimas, no geral, têm um perfil: meninos e negros. O crime que mais matou os jovens, em 2020, foi o homicídio doloso, 82,4% dos casos. Os estados com as piores taxas por 100 mil habitantes de mortes violentas contra essa parcela da população são Ceará (27,2), Rio Grande do Norte (20,9), Sergipe (20,6) e Pernambuco (20,3). “As crianças foram mortas mais em casa, por uma lesão corporal grave com predomínio do uso de faca, com os autores dos crimes identificados como pais ou cuidadores”, diz a pesquisadora Sofia Reinach, a responsável pelo estudo, à Folha de São Paulo. De acordo com os dados, ao menos 480 vítimas tinham até 14 anos; e 170 tinham entre 0 e 4 anos. O feminicídio também apareceu em aproximadamente 5% dos registros entre as meninas com até nove anos de idade.

O Anuário também aponta as violências contra a população LGBTQIA+ e, segundo os dados, houve um aumento de 20,9% nas agressões, totalizando 1.169 casos. O número de homicídios também aumentou, chegando a 24,7%, que resulta em 121 assassinatos. No começo desse ano, a morte de Keron Ravach, uma menina trans de 13 anos, chocou o Brasil e evidenciou a necessidade de discutir as mortes de crianças trans. Keron foi espancada até a morte, atingida com pauladas e socos por um rapaz de 17 anos de idade que confessou o crime.

“Estamos falando do ápice da violência que resulta em morte. Mas quantas crianças estão sendo agredidas e empurradas para um cemitério de forma silenciosa?”, Sofia Reinach.

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