“Cosplay de Microfone”, professor compara cabelo de modelo negra ao formato do aparelho

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Professor é acusado de racismo e escola diz que “solidariza com aqueles que se sentiram ofendidos de alguma forma”

O comentário racista foi feito na rede social. Foto: Reprodução/Facebook

Em seu perfil pessoal no Facebook, o professor Murilo Vargas, que leciona a matéria de espanhol em um colégio particular no Distrito Federal, compartilhou uma imagem de uma modelo negra comparando o cabelo afrodescendente da profissional com o formato de um microfone. A publicação feita na quarta-feira (19) na rede social  recebeu diversas críticas dos alunos da instituição, que realizaram um abaixo-assinado para afastar o docente.

Em nota publicada no Facebook, Murilo destaca que a sua intenção era desenvolver um debate sobre os limites do humor e pediu desculpas pela publicação. De acordo com a pesquisadora Gevanilda Santos, no livro Relações raciais e desigualdade no Brasil, as situações de preconceitos ou práticas racistas se manifestam através de xingamentos que manifestam hostilidade racial por meio de injúrias, brincadeiras ou piadas.

Em nota de repúdio, publicada nas redes sociais, o colégio CEM 804 do Recanto das Emas, ao qual Murilo Vargas é funcionário, informa que “essas declarações não refletem o pensamento da escola, que sempre prezou pela diversidade e pluralidade de ideias” e que “o CEM 804 se solidariza com aqueles que se sentiram ofendidos de alguma forma“. Confira a nota completa:

O CEM 804 do Recanto das Emas vem a público, por meio de suas redes sociais, manifestar o seu repúdio à declaração com teor que pode ser considerado como racista, proferida por um de seus professores no Facebook particular. Essas declarações não refletem o pensamento da escola, que sempre prezou pela diversidade e pluralidade de ideias e procurou sempre se pautar pelos princípios da liberdade, como escola formadora do pensamento crítico-reflexivo, independente de partidarismo político, ideologia, raça ou credo. O CEM 804 se orgulha também de ser formado por uma comunidade com imensa pluralidade racial, tendo se destacado inclusive com projetos de valorização da cultura afrodescendente, como o projeto “Consciência Negra” que é realizado anualmente e abraçado por toda a comunidade. A nossa escola ostenta, com imenso orgulho, o título de escola inclusiva, pelo trabalho que vem desenvolvendo no intuito de reduzir as diferenças, as limitações, proporcionando a todos os alunos um convívio amigável, respeitoso e harmonioso. Mais uma vez reiteramos que a escola não compactua com tais postagens e que, durante o exercício da função deste professor, nunca houve denúncia de atitude semelhante que tivesse chegado formalmente até à direção da escola. Tal fato nos entristece e o CEM 804 se solidariza com aqueles que se sentiram ofendidos de alguma forma.

A palavra “cosplay” significa transformar-se, caracterizar-se ou fantasiar-se de algum personagem ou temática, de acordo com o léxico brasileiro. Segundo a Revista Fórum, a Polícia Civil do Distrito Federal abriu uma investigação contra o professor. Além desta ação, a Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal recomendou o afastamento do professor.

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Ariel Freitas

Jornalista, escritor, rapper e ativista. Criado nos becos estreitos da Vila Estrutural e pelas esquinas do Morro Santana, ambos localizados na zona norte de Porto Alegre. Aos 16 anos, Ariel Freitas era campeão de freestyle na maior batalha do estado do Rio Grande do Sul, a famosa Batalha do Mercado. Atualmente, Ariel Freitas escreve sobre os impactos do racismo na Capital da desigualdade racial. Uma Porto nem tão Alegre assim.

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