Anielle Franco escreve em autobiografia de Angela Davis

A convite da editora Boitempo, Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco, escreveu a orelha do livro “Angela Davis – uma autobiografia”. Além da honra de participar da obra de uma das ativistas mais importantes do mundo, Anielle, que é jornalista formada nos Estados Unidos, foi recebida na casa da autora nos EUA.

“O convite foi inesperado, estou até agora em êxtase. Tudo começou quando fui entrevistada por uma tradutora da editora Boitempo para uma homenagem a minha irmã nos Estados Unidos. Na ocasião, pedi a tradutora o contato da editora para que eu pudesse fazer um contato para o meu livro, que devo lançar no final do ano. Salvei o telefone no meu celular mas nunca falei com ela. Até que um dia a editora me mandou uma mensagem falando que sabia da minha luta para manter o legado da minha irmã e perguntando se eu não queria escrever a orelha para o livro da Angela Davis. Eu fiquei meia hora olhando a mensagem sem conseguir responder, mas aceitei, claro. Fiquei duas noites sem conseguir dormir com várias ideias na cabeça até que eu consegui colocar um texto que eles gostassem e a editora aprovou de primeira”, conta Anielle.

Angela Davis e Anielle Franco

A Boitempo publica pela primeira vez no Brasil ‘Uma autobiografia’, de Angela Davis. Lançada originalmente em 1974, a obra é um retrato contundente das lutas sociais nos Estados Unidos durante os anos 1960 e 1970 pelo olhar de uma das maiores ativistas de nosso tempo. Davis, à época com 28 anos, narra a sua trajetória, da infância à carreira como professora universitária, interrompida por aquele que seria considerado um dos mais importantes julgamentos do século XX e que a colocaria, ao mesmo tempo, na condição de ícone dos movimentos negro e feminista e na lista das dez pessoas mais procuradas pelo FBI. A falsidade das acusações contra Davis, sua fuga, a prisão e o apoio que recebeu de pessoas de todo o mundo são comentados em detalhes por essa mulher que marcou a história mundial com sua voz e sua luta.⠀

Para Anielle escrever a orelha deste livro é além de uma honra um sinal de que sua irmã está olhando por ela: “ Isso tudo é muito surreal porque eu sou muito fã da Angela Davis. Eu e Marielle conversávamos muito sobre o livro dela, os discursos, sua história. Quando vejo tudo o que está acontecendo isso agora eu não tenho dúvida que é coisa dela (Marielle) que está mexendo os pauzinhos, as energias, pra que isso aconteça”.

“Angela Davis – uma autobiografia” Editora Boitempo

Escrever a orelha do livro de Angela Davis é para a irmã da vereadora mais um passo na defesa dos ideais e na garantia de permanência do legado de Marielle. Assim como a fundação do Instituto Marielle Franco, dirigido por Anielle, que visa oferecer para a comunidade aulas, rodas, palestras, acompanhamento psicológico e jurídico e oficinas de escrita.

“A mensagem  que eu quis passar no texto é de muita força, para que a gente continue seguindo e tocando esse barco, que é muito difícil. E a Dina, esposa de Angela Davis, mostrou que está junto com o instituto, o que pra mim é fantástico”, declara Anielle.

O livro de Angela Davis, que já está disponível para pré-venda, questiona a banalização da ideia de que “o pessoal é político”. Nele Davis mostra como os eventos que culminaram na sua prisão estavam ligados não apenas a sua ação política individual, mas a toda uma estrutura criada para criminalizar o movimento negro nos Estados Unidos. Além de um exercício de autoconhecimento da autora em seus anos de cárcere, nesta obra encontramos uma profunda reflexão sobre a condição da população negra no sistema prisional estadunidense.⠀

Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: