Angola completa 45 anos de independência e Cine África celebra data com cinco documentários gratuitos sobre o país

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“A Persistente Fragilidade da Memória” (2015)

Em 11 de novembro de 1975, Angola se torna independente de Portugal. O cenário para a independência se “Mulheres de Armas” (2012)desenvolveu meses após a derrubada da ditadura em Portugal pela Revolução dos Cravos em 25 de abril de 1974, quando se abriram perspectivas históricas imediatas para a independência de Angola, uma das colônias portuguesas na África ocidental.

Para celebrar os 45 anos de independência do país, a partir desta quarta-feira (11), o Cine África se une à produtora audiovisual angolana ‘Geração 80’ para exibir gratuitamente os documentários do projeto ‘Esta é a Nossa Memória‘. Os cinco filmes fazem parte de uma iniciativa da Associação Tchiweka de Documentação chamada “Angola – Nos Trilhos da Independência”, que estimulou a produção de memórias sobre este marco histórico do país.

As exibições no Brasil contam com o apoio da Mostra de Cinemas Africanos e do Sesc São Paulo e ficam disponíveis até o dia 2 de dezembro de 2020 (quarta) em sescsp.org.br/cineafrica.

O projeto “Angola – Nos Trilhos da Independência” foi a base essencial de onde saíram o longa “Independência” (2015), o média “Angola – Nos Trilhos da Independência” (2012) e os curtas “Mulheres de Armas” (2012), “A Persistente Fragilidade da Memória” (2015) e “São Nicolau – Eles Não Esqueceram” (2012).

Lançado em 2015, o longa “Independência” foi um dos projetos da Geração 80 com maior tempo de produção: seis anos. Filme especial pela importância do tema na construção intelectual da atual geração de angolanos, especialmente pela falta de conhecimento desta época da sua história. Foi vencedor do Prémio Nacional Cultura e Artes de 2016 (Angola) e exibido no African Film Festival (EUA), Durban International Film Festival (África do Sul) e Luxor Film Festival (Egito). 

Esta é a Nossa Memória é uma iniciativa da Geração 80 para assinalar os 45 anos de Independência de Angola, olhando para o projeto “Angola – Nos Trilhos da Independência” do ponto de vista das pessoas que fizeram parte da equipe de produção num contexto atual, cinco anos depois do fim de uma de suas etapas.

Ciclo de documentários angolanos | Gratuito

De 11/11/20 (qua) a 02/12/20 (qua) |  em sescsp.org.br/cineafrica

Títulos: “Independência” (2015), “Angola – Nos Trilhos da Independência” (2012), “Mulheres de Armas” (2012) e “A Persistente Fragilidade da Memória” (2015) e “São Nicolau – Eles Não Esqueceram” (2012).

Independência

Angola | 2015 | 105 min. | Documentário | 12 Anos | Trailer https://youtu.be/JDS-n6e56fw

Título Original: Angola – Nos Trilhos da Independência

Direção: Fradique

Roteiro: Fradique, Conceição Neto & Paulo Lara

Fotografia: Kamy Lara

Sinopse: A 11 de novembro de 1975 Angola proclamou a independência, 14 anos depois do início da luta armada contra o domínio colonial português. O regime de Salazar recusava qualquer negociação com os independentistas, aos quais restava a clandestinidade, a prisão ou o exílio. Quando quase toda a África celebrava o fim dos impérios coloniais, Angola e as outras colónias portuguesas seguiam um destino bem diferente. Só após o golpe militar de 25 de abril de 1974 ter derrubado o regime, Portugal reconheceu o direito dos povos das colónias à autodeterminação. Os anos de luta evocados em “Independência” determinaram o rumo de Angola após 1975. Opções políticas, conflitos internos e alianças internacionais começaram a desenhar-se durante a luta anti-colonial. As principais organizações (FNLA e MPLA e, mais tarde, UNITA) nunca fizeram uma frente comum e as suas contradições eram ampliadas pelo contexto da Guerra Fria. A independência foi proclamada já em clima de guerra, mas com muita emoção e orgulho, como é contado no filme.

Angola – Nos Trilhos da Independência

Angola | 2012 | 55 min. | Documentário | 12 Anos

Título Original: Angola – Nos Trilhos da Independência

Direção: Fradique & Kamy Lara

Roteiro: Fradique & Kamy Lara

Fotografia: Kamy Lara

Sinopse: Foram 57 meses, 900 horas de material audiovisual recolhido em território angolano e internacional, com cerca de 700 depoimentos de protagonistas da luta anticolonial. Tudo isto destinado a preservar a memória de um período na História que diz respeito a Angola e à luta de todos os povos sob ocupação colonial cujas memórias padecem ainda de ser registadas e pensadas.

Mulheres de Armas

Angola | 2012 | 12 min. | Documentário | 12 Anos

Título Original: Mulheres de Armas

Direção: Kamy Lara

Roteiro: Fradique & Kamy Lara

Fotografia: Kamy Lara

Sinopse: Realizado em 2012 no âmbito do Projecto “Angola – Nos Trilhos da Independência” sobre a participação da mulher angolana na Luta pela Independência Nacional.

São Nicolau – Eles Não Esqueceram

Angola | 2012 | 12 min. | Documentário | 12 Anos

Título Original: São Nicolau – Eles Não Esqueceram

Direção: Fradique & Kamy Lara

Roteiro: Fradique & Kamy Lara

Fotografia: Kamy Lara

Sinopse: São Nicolau foi, no período colonial, o maior campo de prisioneiros políticos angolanos, milhares deles sem julgamento. A vastidão e a estrutura do campo não eram as de uma prisão típica, mas a fuga era praticamente impossível entre o mar e o deserto. A população de detidos e seus familiares vinha dos quatro cantos de Angola e dos mais diversos meios políticos, religiosos e profissionais. Todos partilhavam o sonho da Independência, mesmo quando divergiam sobre os caminhos para obtê-la.

A Persistente Fragilidade da Memória

Angola | 2015 | 26 min. | Documentário | 12 Anos

Título Original: A Persistente Fragilidade da Memória 

Direção: Gretel Marin

Roteiro: Gretel Marin

Fotografia: Kamy Lara

Sinopse: Incluído no projecto “Angola – Nos Trilhos da Independência”, o filme reflete sobre a questão da memória, através de várias entrevistas aos membros do projeto.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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