Alexandre de Moraes vota a favor da descriminalização do porte de maconha

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Brasília, (DF) – 01/08/2023 - O presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, participa da abertura da  sessão plenária do segundo semestre forense de 2023, Foto Valter Campanato/Agência Brasil.

Nesta quarta-feira (02) o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou o julgamento sobre o porte de drogas no Brasil, com um voto do ministro Alexandre de Moraes, a favor da descriminalização do porte de maconha para uso pessoal. Com o voto do ministro, o julgamento está com um placar de 4 votos a 0 pela descriminalização.

Em sua fala, o ministro citou um estudo da Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ), que analisou mais de 1,2 milhões de ocorrências policiais de apreensões de pessoas com drogas, destacando a diferença de tratamento da polícia com pessoas negras e brancas, no Brasil.

O branco precisa estar com 80% a mais de maconha do que o preto e pardo para ser considerado traficante. Para um analfabeto, por volta de 18 anos, preto ou pardo, a chance de ele, com uma quantidade ínfima, ser considerado traficante é muito grande”, disse Alexandre de Moraes.

O presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes / Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Mais de uma vez, durante sua fala, Alexandre de Moraes destacou a diferença de tratamento policial, entre brancos e negros. Em 2015, na última sessão do STF sobre o assunto, o ministro havia pedido vista, ou seja, mais tempo para analisar o caso, o que levou a suspensão do julgamento. 

Na defesa de seu voto no julgamento desta quarta, que julga a constitucionalidade do Artigo 28 da Lei das Drogas (Lei 11.343/2006), o ministro afirmou que deve ser considerado usuário, aquele que portar entre 25 a 60 gramas de maconha, ou seis plantas fêmeas de cannabis, e que a justiça avalie as circunstâncias de cada caso, para determinar se é ou não uma situação que se configurar tráfico de drogas. 

Após o voto de Moraes, o julgamento foi suspenso novamente a pedido do relator do caso, o ministro Gilmar Mendes, que pretende aprofundar voto já proferido e prometeu devolver o processo para julgamento na próxima semana, mas sem data definida.

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Bárbara Souza

Bárbara Souza

Formada em Jornalismo em 2021, atualmente trabalha como Editora no jornal Notícia Preta, onde começou como colaboradora voluntária em 2022. Carioca da gema, criada no interior do Rio, acredita em uma comunicação acessível e antirracista.

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