A rapper Helen Nzinga lança EP onde fala da coragem do povo negro e do atual momento político do Brasil

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O EP C.R.U (Coragem é Realmente Urgente), lançado no final do mês de janeiro, é o novo EP da artista

Coragem é Realmente Urgente? Para a rapper Helen Nzinga, a coragem desdobra-se em resistência popular e na vontade de transformação, impulsionando as pessoas a lutarem contra as injustiças. O EP C.R.U (Coragem é Realmente Urgente), da artista, lançado no final de janeiro, proporciona reflexões sobre o atual momento em que o país vive, sobretudo político, enquanto resgata a história do povo negro a partir da coragem. A produção já está disponível nas plataformas digitais.

Foto: Divulgação

Helen Nzinga, carioca, de 30 anos, é cantora, compositora de rap e R & B. A sua jornada no rap começou em 2015 e de lá para cá tem produzido singles que contemplam o rock à música instrumental. No ano de 2018, a artista foi uma das ganhadoras do concurso Original’s Studio promovido pela Levi’s em parceira com a Lab Fantasma, hub de entretenimento que tem gravadora, editora, produtora de eventos e marca streetwear, fundada pelos irmãos Emicida e Fióti. Com o prêmio, a rapper gravou o seu single “Dia a Dia” pela Lab.

Esse é o segundo projeto de Helen Nzinga em estúdio. As três faixas do EP foram gravadas durante a quarentena em razão da pandemia de Covid-19, doença que já matou mais de 200 mil pessoas no país e infectou mais de nove milhões. Desde o ano passado, pesquisas apontam que as desigualdades sociais impactam em maior letalidade da doença no Brasil. Um estudo realizado, em 2020, pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica), do Rio de Janeiro, demonstrou que uma pessoa preta ou parda e analfabeta possui 3,8 vezes mais chances de morrer em decorrência da Covid-19 do que uma pessoa branca com curso superior.

Foto: Divulgação

Esse EP nasceu de uma revolta. Uma insatisfação com a forma com que o Brasil tratou a pandemia. Porém, o trabalho não é só uma crítica, é também uma lembrança de que, se quisermos, podemos transformar as coisas”, diz Helen. A faixa singles do EP, “Escala”, faz uma relação com o filme original “O Poço”, da Netflix, trama que mostra a situação de vulnerabilidade social em que indivíduos estão submetidos. Para a artista, em contextos como este, a resistência popular é o caminho para o combate às desigualdades. No entanto, ao passo que o novo EP fomenta a construção de um olhar atento e crítico sobre o atual cenário político social, a artista propõe uma viagem pela história dos seus antepassados.

Nas outras duas faixas “Guerra” e “Circo do Bozo”, pautas sociais, raciais, econômicas e as da dimensão individual também estão presentes. A primeira transcorre a partir de narrativas que convidam o público a refletir sobre situações conflituosas da sociedade brasileira, além de evidenciar por meio das letras as condições de desigualdade que a população negra está submetida. “Guerra” começa com uma fala do líder indígena e ambientalista Ailton Krenak: “Nós estamos em guerra. O seu mundo e o meu mundo estão em guerra”. 

Já a segunda, conta com a participação da DJ Tamy e com uma amostra da faixa “Filme de Terror, da também rapper Nega Gizza. Helen Nzinga, por meio de uma metáfora, critica a administração do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro (sem partido) e a sua atuação frente à pandemia de Covid-19. “Como seres humanos passamos por distintas fases e circunstâncias onde enfrentamos momentos que exigem de nossa parte uma intensidade maior, que geralmente nos tira de cima do muro, nossa zona de conforto, e nos direciona à tomadas de decisão… ao movimento”, fala a artista ao contar sobre a decisão de produzir esse EP.

Responsáveis pela gravação das três faixas do EP e pelos instrumentais: Luigi Tedesco e Ivo Costa.

Arte da capa: Ronne Peterson Jr, artista visual.

Fotos de divulgação: Daiane Dias, fotógrafa.

Estúdio de gravação: Reurbana

C.R.U está disponível nas plataformas digitais através do link: https://ps.onerpm.com/9754395095

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Victória Henrique

Victória Henrique é estudante de Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Durante um ano foi apresentadora de um programa sobre educação no YouTube da Mídia NINJA e hoje é colaboradora do Notícia Preta e colunista da Mídia NINJA. Pela UFF, pesquisa experiências em rede, com foco na atuação de mídias independentes no Brasil.

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