A falsa ilusão do Black Money

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“Rapper compra tênis de R$ 2.500,00”, “Cantora desfila com bolsa de R$ 7.500,00”, “funkeira posa com vestido de R$ 5.000,00”. Essas são algumas manchetes de jornais que circularam na última semana no Brasil e sabem o que todos esses envolvidos têm em comum? Duas coisas: a pele escura e levaram dinheiro para a branquitude. 

Os artistas e celebridades ostentam nomes e marcas – Foto: Reprodução/Internet

Ou você acha mesmo que um afroempreendedor consegue vender um tênis de R$ 2.500,00 para algum artista aqui no Brasil? E quando falo artista, digo no geral, porque tem muito branco (que não faz parte da branquitude, diga-se de passagem) que consome produtos de empreendedores negros. 

Mas, como diria D. Ana, “os próprio preto não tá nem aí com isso, não”. Sábia D. Ana que já antevia essa falsa ilusão de que os pretos fazem o Black Money girar. Principalmente quando chegam no topo, eles querem andar de Nike, Adidas (?), Louis Vuitton, Lacoste e diversos outros nomes brancos e importados, que nunca saberão o que é pespontar um calçado.

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Parece óbvio, ou até ácido, invejoso de minha parte escrever dessa forma sobre pessoas negras que chegam no topo, mas eles são exemplos para as crianças que veem a “favela vencendo” e consumindo produtos e serviços que não foram feitos para eles.

Sempre ouço algumas pessoas dizerem que é necessário ocupar espaços que nunca foram disponibilizados aos negros. Concordo, mas temos que ocupar também universidades, Ministério Público, Tribunais de Justiça. Esses lugares que precisamos chegar e, com o olhar externo, modificar a estrutura racista que nos obriga, dia após dia, a consumir produtos e serviços de pessoas brancas, que não produzem absolutamente nada para o público negro. 

Enquanto isso, os nossos afroempreendedores chegam aos bancos com pires nas mãos, para lutar por uma linha de crédito, para vender uma camisa por R$ 80,00 e ainda serem questionados se determinado tecido é “hipoalergênico”. Ninguém questiona uma bolsa Prada. Porquê? 

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

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