A ancestralidade que se renova no palco com as masculinidades negras

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Ator Reinaldo Júnior

O velho olhar da ancestralidade, que se renova no cotidiano dos homens através das masculinidades negras, vem sendo representado por meio da vida e da arte nos palcos cariocas. O ator Reinaldo Junior, de Mesquita, Baixada do Rio, é um dos artistas da cena preta teatral que se dedica a  trabalhar o tema com objetivo de combater o racismo e trazer humanização aos corpos de homens negros. Em Cartaz com admirável elenco, o espetáculo “OBORÓ – Masculinidades Negras”, no Teatro Firjan Sesi Centro, às quintas, sextas e sábados às 19h e domingos às 18h, de 15 de agosto a 1 de setembro.

A montagem aborda a realidade do homem negro, que vive à margem de uma sociedade machista, por meio de personagens com características semelhantes a orixás. Com direção de Rodrigo França e texto de Adalberto Neto, Oboró é um termo que, em Yorubá, é usado para designar orixás do sexo masculino. Reinaldo traz para cena o personagem Nilton que representa o orixá “Xangô”. 

Apesar da renovação do olhar, o tema vem sido debatido há bastante tempo a partir da subjetividade homens negros dentro das artes cênicas, com artistas como Abdias do Nascimento fundador do Teatro Experimental,  Rubens Barbot, fundador da primeira Cia de Dança Contemporânea Negra do Brasil e Hilton Cobra, o cobrinha da Cia dos Comuns. Seguindo os passos desses mestres, Reinaldo destaca que é preciso voltar para ancestralidade para rever conceitos abordados hoje, trazendo uma reflexão para o cotidiano e a realidade que o homem negro se encontra dentro da sociedade.  

“No espetáculo não somos embrutecidos, não somos raivosos, não tem divisão entre bem e mal. Apenas a realidade, nossas dores, alegrias e sobretudo o enfrentamento contra o racismo. É importante que olhem os homens negros desta forma, é importante aponta para um lugar de retorno a ancestralidade, com o objetivo de renovar e fortalecer os conceitos de comunidade”, destaca.

Reinaldo Júnior em cena na peça Oboró

As referências ancestrais precisam começar na infância, para que as novas gerações cresçam com consciência de povo. Reinaldo também está em cartaz como músico do espetáculo “O Pequeno Príncipe Preto”, que também tem texto e direção de Rodrigo França e atuação Junior Dantas e conta a história de um Príncipe que percorre vários planetas com a missão de plantar as sementes da empatia, amor, respeito, coletividade, generosidade e aprendizado familiar. Com diferentes linguagens, exalta a valorização da cultura negra e retrata o quanto é bonita a diversidade de cada povo.  

O trabalho de desconstrução da imagem negativa que a sociedade construiu em cima do homem negro também é relatada com “Esperança na Revolta”, que é da Confraria do Impossível, grupo de artistas idealizado por André Lemos e Reinaldo onde ele atua e assina a direção de movimento. Indicada ao Prêmio Shell em três categorias e ganhadora em Melhor Direção com André Lemos, a montagem reestreia no final deste mês e fica até o meado de setembro, no Terreiro Contemporâneo, uma das bases da arte negra no Rio. A peça que aborda guerras contemporâneas e como o ser humano reage e sobrevive às violências, e coloca atores negros como universais, e capacitado para atuar em qualquer personagem, rompendo com estereótipos das montagens tradicionais, onde o negro sempre atua nos mesmos papéis e os colocam como protagonistas.  

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