O ex-porteiro Rodnei Ferraz registrou na Polícia Civil uma denúncia de racismo contra três alunos de um colégio particular de Campinas e afirma que foi demitido após comunicar o episódio à direção. O caso aconteceu em dezembro de 2025, na unidade do Colégio Objetivo em Barão Geraldo, e é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Trabalho.
No boletim de ocorrência, Rodnei relatou que os estudantes estavam na escola para realizar provas de recuperação quando passaram a fazer barulho e a circular repetidamente por um banheiro. Ao adverti-los, teria sido ofendido. “Eles estavam fazendo muita baderna, um entra e sai constante, e nisso eles entraram num banheiro e dentro do banheiro começou uma gritaria, e eu chamando a atenção. (…) Mas aí ele chegou e falou: ‘eu pago o seu salário, você é um sub-raça, um negro sujo e um macaco’“.
Com cerca de 20 anos de experiência na função e quatro meses de trabalho na unidade, ele afirmou que ficou sem reação diante das ofensas. “Eu dei um choque e chamei minha rendição para me render, para não ficar perto dessas crianças, que eles chamam de criança, mas com 17, 16 anos, acho que já tem uma visão”. Em outro trecho, declarou: “É revoltante, porque você se sente frágil, e impotente com essa situação ridícula que aconteceu comigo“.

O Colégio Objetivo Barão Geraldo informou que repudia qualquer ato de racismo e todo tipo de preconceito e declarou que o desligamento não teve relação com a denúncia. A escola afirmou que apurou internamente o caso, ouviu alunos, funcionários e famílias, e que os estudantes negaram as acusações. Também declarou que atitudes indisciplinares são analisadas com rigor e que segue o regimento interno, que prevê advertência, suspensão ou expulsão, conforme o caso.
A Federação dos Professores do Estado de São Paulo repudiou o episódio, defendeu apuração rigorosa e afirmou que considera o caso grave e inaceitável, especialmente por ter ocorrido em ambiente educacional. A entidade declarou que nenhum trabalhador pode sofrer retaliação por denunciar práticas discriminatórias.
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