Maus-tratos a animais crescem 1.400% em quatro anos no Brasil

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Foto: Pexels

O número de registros de maus-tratos a animais no Brasil teve crescimento acelerado nos últimos anos, com relatos que incluem agressões físicas, enforcamentos e até disparos de arma de fogo. Levantamento do Conselho Nacional de Justiça aponta aumento de 1.400% nas ocorrências desde 2021. Apenas em 2025, foram 4.919 novos casos, média de 13 por dia, 21% a mais que no ano anterior.

Especialistas revelaram em entrevista ao Fantástico avaliam que, apesar de mudanças recentes, a legislação ainda não assegura punições compatíveis com a gravidade dos crimes, o que dificulta a prisão dos responsáveis por agredir animais.

Situações recentes em diferentes estados ilustram a violência. No Rio Grande do Sul, um homem enforcou um pitbull e afirmou à polícia ter recebido R$ 20 para matar o animal. No Distrito Federal, um cachorro foi baleado pelo vizinho do tutor. Na zona leste de São Paulo, um cão comunitário morreu após vários tiros, e o suspeito não foi encontrado.

Em Curitiba, câmeras registraram o espancamento de um cão comunitário chamado Jack. O agressor foi identificado, a polícia solicitou a prisão, mas a Justiça negou o pedido. O animal passou por cirurgia para tratar traumatismo cranioencefálico e se recuperou após três meses de cuidados.

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O número de registros de maus-tratos a animais no Brasil teve crescimento acelerado nos últimos anos, com relatos de agressões – Foto: Pexels

A lei de 1998 prevê detenção de três meses a um ano e multa para maus-tratos a animais, com aumento de pena em caso de morte. Desde 2020, crimes contra cães e gatos podem resultar em reclusão de dois a cinco anos, mas, na prática, poucos condenados cumprem regime fechado.

Na Câmara dos Deputados, parlamentares articulam mudanças para endurecer as punições. Paralelamente, iniciativas de acolhimento tentam reduzir os impactos. A Universidade Federal do Ceará mantém cerca de 120 cães e gatos sob cuidados, com vacinação, castração e abrigo temporário até a adoção. Protetores afirmam que o avanço das denúncias reflete tanto maior conscientização quanto o aumento da brutalidade.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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