Em média, 27,6 milhões de mulheres ao longo da vida foram vítimas de alguma forma de violência provocada por parceiros no Brasil, segundo o estudo
De acordo com a pesquisa “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil” do Fórum de Segurança Pública do Instituto do Datafolha, entre os casos de violência contra mulheres, onde os agressores são companheiros e ex, 45% das vítimas são mulheres negras, sendo (48%) mulheres pretas e (43,8%) mulheres pardas. Já as mulheres brancas representam 36,9%.
Mesmo com números expressivos e similares entre os diferentes grupos de raça/cor de mulheres que são vítimas de seus parceiros íntimos ou ex, em relação a violência física, entre mulheres negras a prevalência é de 8 pontos superior à mulheres brancas.

Entre os tipos de violência causadas pelos parceiros íntimos às mulheres negras, insultos, humilhações e xingamentos são a forma de agressão mais frequente, representando 35%. Em seguida estão os tapas, empurrões e chutes (27,1%), depois ofensas sexuais ou tentativa forçada de manter relação quando a vítima não queria (20,1%), logo depois isolamento de amigos e familiares (12,6%) e acesso a recursos básicos (10,7%), segundo o estudo.
Violência por parceiros íntimos foi definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como qualquer comportamento que cause danos físicos, sexuais, psicológicos e atitudes de controle durante ou após o término de uma relação.
A pesquisa também fez um recorte de 12 meses – considerando o ano de 2022, que mostrou um crescimento de 4,5 pontos percentuais no agravamento das violências sofridas por mulheres no Brasil. A estimativa é que, em média, 18,6 milhões de mulheres sofreram alguma violência no ano de 2022.
No mesmo período, 29,9% das mulheres negras foram vítimas de violência e agressão, enquanto as mulheres brancas representam 26,3%. Entre as mulheres negras, a violência física severa é maior do que entre as mulheres brancas: espancamento (negras com 6,3% e brancas com 3,6%) e ameaça com faca ou arma de fogo (negras com 6,2% e brancas com 3,8%), ressalta a pesquisa.
“Se todas as mulheres que vivenciaram este tipo de agressão física buscassem ajuda das autoridades teríamos cerca de 8,9 milhões de mulheres com 16 anos ou mais procurando a polícia para denunciar o crime“, diz o relatório.
Local que mais ocorre as agressões e autores
Segundo o estudo, 53,8% das mulheres que foram vítimas de violências sofreram as agressões em casa nos últimos 12 meses. Sendo (56,6%) mulheres negras e (45%) mulheres brancas. Enquanto a residência é o local de maior vulnerabilidade das mulheres, em (73,7%) dos casos, os agressores são conhecidos das vítimas.
Os principais autores das violências são os companheiros e ex-parceiros, refletindo em 58,1% dos casos. Já os autores desconhecidos são 24,5%. Os dados mostram que o fim do relacionamento não significa o fim da violência doméstica.

O estudo mostrou também que 45% das mulheres vítimas de violência não relatam a agressão. Já entre as vítimas que recorreram a ajuda, (17,3%) procuraram a família, (15,6%) os amigos, 14% a delegacia da mulher e 8,5% as delegacias comuns.
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