Tribunal de Justiça de Santa Catarina derruba lei que proibia cotas raciais no estado

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O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) suspendeu os efeitos da Lei Estadual 19.722/2026, que proibia a adoção de cotas raciais e outras políticas de ação afirmativa por instituições de ensino superior públicas ou que recebam recursos públicos no Estado. A suspenção ocorreu nesta terça-feira (27) em decisão liminar. Além disso a OAB acionou o STF que determinou 48 horas para o governo catarinense se pronunciar.

A constitucionalidade da norma é contestada por meio de uma ação direta apresentada por um partido com assento na Assembleia Legislativa. Na petição, a legenda sustenta que a medida desrespeita a Constituição por afrontar fundamentos como a promoção da igualdade substantiva, a dignidade humana, o enfrentamento ao racismo, o acesso à educação como direito básico, a gestão democrática do ensino e a autonomia das universidades.

Argumenta, ainda, que a iniciativa configura um retrocesso em termos de direitos sociais e contraria a jurisprudência já firmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que reconhece a validade das políticas de ação afirmativa.

Na avaliação da relatora do caso, permitir que a lei continuasse produzindo efeitos, ainda que temporariamente, poderia provocar entraves administrativos de difícil correção, sobretudo no começo do calendário letivo, o que fundamentou a concessão da medida de urgência.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) suspendeu os efeitos da Lei Estadual 19.722/2026, que proibia a adoção de cotas raciais – Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil.

Em análise preliminar, a relatora considerou haver indícios consistentes de inconstitucionalidade material, ao entender que a vedação ampla e genérica a políticas afirmativas de caráter étnico-racial aparenta conflitar com o modelo constitucional de igualdade substancial, além de contrariar os objetivos de redução das desigualdades e de enfrentamento à discriminação.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil acionou o Supremo Tribunal Federal para tentar barrar a lei. A ação foi protocolada nesta terça-feira (27). A entidade pede uma decisão liminar para suspender imediatamente a norma e, no mérito, que ela seja declarada inconstitucional. O ministro Gilmar Mendes determinou 48 horas para o governo catarinense se pronunciar.

A lei havia sido sancionada por ter tido maioria na Assembleia legislativa de Santa Catarina, com maioria dos deputados estaduais votando a favor e com a benção do governador Jorginho Melo do PL. Em resposta o Ministério da Igualdade Racial e deputados do PT-SC entraram com ação para barrar a medida que acabava com as cotas raciais.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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