De acordo com apuração de autoridades de saúde indianas, um surto recente do vírus Nipah colocou o sistema sanitário do país em vigilância reforçada após a infecção de ao menos cinco profissionais de um hospital em Bengala Ocidental. Cerca de 100 pessoas foram isoladas preventivamente. O agente, conhecido pela alta taxa de letalidade e pela inexistência de vacina ou tratamento específico, é acompanhado por órgãos internacionais.
O cenário levanta dúvidas sobre a possibilidade de o vírus ultrapassar fronteiras e provocar uma nova pandemia. Especialistas avaliam que esse risco existe, porém é reduzido.
Em entrevista à Agência Brasil, o professor de infectologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Benedito Fonseca, afirmou que a probabilidade de disseminação global é pequena. O Nipah é classificado como zoonótico, com transmissão predominante de animais para humanos, além de contaminação por alimentos, segundo estudo publicado na revista científica Viruses.
O principal reservatório é o morcego do gênero Pteropus, presente na Ásia, Oceania e África, mas ausente nas Américas e na Europa. Outros mamíferos podem servir de ponte para a infecção. “Os morcegos se alimentam de frutas, e essas frutas contaminadas, seja pela urina, seja pelas fezes ou pela saliva, caem no chão. Outros animais, principalmente porcos, se alimentam dessas frutas e acabam tendo a doença”, explicou Fonseca.
Para a infectologista Carolina Lázari, ouvida pela revista Veja, a falta dessa espécie no Brasil reduz a chance de grandes surtos. Ainda assim, há possibilidade de transmissão por alimentos contaminados ou contato direto com doentes.

Fonseca acrescentou que, em partes da Índia e de Bangladesh, pessoas se infectam ao consumir seiva fresca de tamareira. “Geralmente tomam isso puro, sem ferver ou pasteurizar”, detalhou à Agência Brasil.
A OMS recomenda higienizar frutas e descartar produtos com marcas de mordidas de morcegos. Embora exista transmissão entre humanos, o especialista avalia que o potencial de espalhamento é menor do que o de vírus respiratórios, como sarampo ou Covid-19.
Identificado pela primeira vez em 1998, na Malásia, o Nipah causa febre alta, vômitos, tosse, dificuldade respiratória e, em quadros graves, convulsões e inflamação cerebral, podendo levar ao coma. Mesmo raro, integra a lista de doenças prioritárias da OMS pelo risco de emergência sanitária global.
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