Sem receberem visitas devido a pandemia do covid-19 e sofrendo constantes agressões, jovens que cumprem medida socioeducativa no Rio se rebelam

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A rebelião que ocorreu neste sábado (18) no Centro de Socioeducação Dom Bosco, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, foi, segundo autoridades e ativistas, fruto da falta de informação somada a constantes maus tratos e condições insalubres. Isolados das famílias devido a pandemia do novo coronavírus e sem receberem mais explicações sobre o vírus e o porque da necessidade do isolamento, os adolescentes internados no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) do Rio se rebeleram.

“Tirar o único direito que estes meninos ainda têm de verdade, que é o de ver a família, sem nenhuma explicação ou uma conversa prévia, é desumano. A gente entende a não visitação nesse momento por conta do contágio. Mas o que a gente não pode é deixar esses meninos sem entender porque estão sem visita. Não podemos deixar essas mães nessa situação. É preciso buscar outros meios desses meninos verem suas mães”, explicou Mônica Cunha, coordenadora do Movimento Moleque e representante das mães que tem seus filhos no sistema educativo.

Durante a rebelião jovens foram agredidos, atingidos com tiros de balas de borraca. Dois servidores foram feridos e precisaram ser levados para um hospital. “Presenciamos um agente dando um tapa no rosto de um adolescente, um jovem com nariz quebrado e outros com marca de bala de borracha”, contou ao Notícia Preta um defensor dos direitos humanos que esteve no local.

“As violações de direitos destes jovens se intensificaram por conta da pandemia. O novo coronavírus é muito mais perigoso para estes meninos que vivem um local insalubre, muitos com doenças de pele e respiratória”, explica Mônica

Segundo o Sindicato de Servidores do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (SindDegase), 100 dos 300 jovens da unidade Dom Bosco do Degase, na Ilha do Governador, promoveram a rebelião. A Polícia Militar acionou o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) e o Batalhão de Policia de Choque e utilizou bombas de gás lacrimogênio para conter os jovens.

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