Qualidade da água piora em rios de 14 estados brasileiros, aponta estudo

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Foto: Thomas Bauer /SOS Mata Atlântica

Segundo a análise, foram realizadas mais de mil coletas em dezenas de rios, e o resultado mostra que a maior parte das águas aparenta estar limpa, mas não está própria para uso

Segundo o levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica, a qualidade da água dos rios que cortam a Mata Atlântica piorou e a maior parte dos pontos monitorados em 14 estados brasileiros apresenta condições apenas regulares ou ruins, com impacto direto na saúde e na vida cotidiana da população.

O estudo analisou corpos d’água nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Juntos, eles concentram boa parte da área original da Mata Atlântica, bioma que abriga mais de 70% da população brasileira.

A principal causa dessa degradação continua sendo a mesma: a falta de saneamento básico e o despejo de esgoto sem tratamento nos rios – Foto: Thomas Bauer /SOS Mata Atlântica

Os resultados mostram um cenário preocupante: mais de 75% dos pontos monitorados têm qualidade regular, o que indica águas já impactadas por poluição. Em outro extremo, apenas uma parcela mínima, entre cerca de 3% e 7%, apresenta qualidade considerada boa, e nenhum trecho foi classificado como ótimo. Já os pontos com qualidade ruim ou péssima representam áreas onde o uso da água pode trazer riscos à saúde.

Segundo a análise, foram realizadas mais de mil coletas em dezenas de rios, e o resultado mostra que a maior parte das águas aparenta estar limpa, mas não está própria para uso. Em muitos casos, a poluição não é visível a olho nu, o que mascara o risco.

A principal causa dessa degradação continua sendo a mesma: a falta de saneamento básico e o despejo de esgoto sem tratamento nos rios. O problema é estrutural e persistente, refletindo anos de investimento insuficiente em infraestrutura urbana.

Embora o estudo não trate diretamente de desigualdade social, os dados revelam um recorte evidente. A piora na qualidade da água afeta de forma mais intensa justamente as populações que mais dependem desses rios, como moradores de periferias urbanas, comunidades ribeirinhas e regiões com menor acesso a serviços públicos. Nessas áreas, a água contaminada deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a ser também um fator de risco à saúde e de aprofundamento das desigualdades.

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Na prática, isso significa que o impacto da poluição hídrica não é distribuído de forma igual. Enquanto parte da população conta com acesso a água tratada e alternativas seguras, outra segue exposta a rios degradados, convivendo com consequências que vão de doenças a limitações no uso diário da água.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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