Prefeitura do Rio suspende alvará de quiosque onde congolês foi assassinado

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Uma semana após o crime, a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que vai suspender o alvará de funcionamento do Quiosque Tropicália, onde o congolês Moise Kabagambe foi espancado até a morte, na última segunda-feira (24), na Barra da Tijuca, bairro nobre da capital fluminense.

Moise foi atacado por cinco homens na última segunda-feira (24), na Barra da Tijuca – Foto: Reprodução/Facebook

Segundo o secretário de Fazenda, Pedro Paulo, o intuito é interromper imediatamente as atividades do quiosque , enquanto as investigações então em andamento. “São duas coisas: dispensação imediata da atividade através do alvará, e estamos acompanhando as providências da concessionária em relação ao contrato com o quiosque”, afirmou o secretário.

Já a concessionária Orla Rio, gestora de todos os quiosques nas praias da cidade, também afirmou que suspendeu as operações do quiosque até o fim das investigações. “Como ela também determinou a suspensão das atividades por contrato, estamos acompanhando o desdobramento das investigações para tomar a decisão sobre a concessão específica deste ou dos demais que possam estar envolvidos”, ressaltou Pedro Paulo, em entrevista à Folha.

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Em nota, a Orla Rio disse que as duas operações do quiosque Tropicália foram suspensas e solicitou esclarecimentos aos proprietários. “A concessionária esclarece que aguarda o resultado da investigação policial para tomar qualquer medida que se faça necessária junto aos mesmos”, afirma a nota.

O comunicado segue. “Caso um dos operadores seja legalmente considerado culpado pelo crime, a Orla Rio informa que vai rescindir unilateralmente o contrato que tem com ele, com a consequente retomada de posse do quiosque, bem como o ingresso de ação judicial própria para reparação das perdas e danos”, completa.

Repúdio ao assassinato de Moise

O Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) emitiu uma nota de repúdio ao assassinato do congolês. O ID_BR está sempre em busca de apoiar iniciativas de combate ao racismo estrutural e sistêmico, persistente na sociedade brasileira, responsáveis pela banalização da morte da população negra. Repudiamos todas as formas de violência, discriminação, segregação e xenofobia”, afirma a nota.

Moise foi assassinado depois de cobrar uma dívida de trabalho. Segundo a família, o gerente do estabelecimento pegou um pedaço de madeira para atacá-lo. “Ele chamou mais quatro pessoas que pularam em cima do Moise, pegou ele pelas costas, sufocou e pegou um pedaço de pau. Começaram então a bater na cabeça dele”, diz Mamanu Idumba Edou, 49, tio de Moise.

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