Pesquisa revela que 84% dos profissionais negros não têm plano de carreira em suas empresas

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A pesquisa Futuro do Trabalho e Diversidade, realizada pelo site de empregos Indeed, em parceria com o Instituto Guetto, mostrou que 84,5% dos entrevistados afirmam que as empresas onde atuam não possuem políticas ou planos de apoio específicos para profissionais negros. 

17% dos profissionais declararam já ter mudado de emprego por conta de práticas racistas nas empresas – Foto: Reprodução

Para o presidente do Instituto Guetto, Vitor Del Rey, os dados refletem que as empresas precisam  abordar essas questões internamente e se esforçar para aumentar o senso de pertencimento de seus colaboradores. “O racismo é um grande desafio no processo de contratação e na vivência corporativa. A discriminação contra pessoas negras e pardas aparece de várias formas no dia a dia da empresa, mas começa já nos processos de seleção e promoção de vagas”, afirma.

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Além disso, o levantamento mostrou também que 57% dos profissionais negros consideram inclusão e diversidade como fatores decisivos ao escolherem uma empresa para trabalhar. Ainda de acordo com o levantamento, 44.5% dos profissionais negros consideraria trocar de emprego se sofresse ou presenciasse discriminação racial.

Ainda segundo a pesquisa, 17% dos profissionais declararam já ter mudado de emprego por conta de práticas racistas nas empresas. “É necessário que as empresas fomentem uma cultura aberta às pessoas negras a partir de uma educação racial do setor de RH e com os demais funcionários da empresa. Os profissionais negros precisam se sentir respeitados, ouvidos, pertencentes e capacitados na instituição desde o processo de seleção até cargos de prestígio”, ressalta Del Rey.

Discriminação no local de trabalho

O levantamento revelou também que 60% dos profissionais negros já sentiram discriminação racial no ambiente de trabalho e 10,6% já denunciaram ao RH, mas não obtiveram retorno. Outros 46,9% afirmam já ter presenciado cenas de discriminação racial no local de trabalho e 24% não denunciaram ao RH por medo de perder o emprego. “Quando eu comecei no mercado de trabalho eu não sabia que poderia falar a respeito. (… ) Poder ter este espaço e falar sobre ser uma mulher negra que está ali naquele ambiente de trabalho, sobre o que significa ir a uma reunião onde só tem pessoas brancas, onde todos os líderes são homens. Este tipo de discussão não acontecia e tinha uma série de efeitos de não falar sobre”, relembra Juliana Alves, Coordenadora de Aquisição de Talentos na América Latina. 

24% não denunciaram ao RH por medo de perder o emprego – Foto: reprodução

A pesquisa ressalta ainda que algumas mudanças estruturais podem fazer com que as empresas tenham mais credibilidade nos processos de seleção. 71,8% dos entrevistados acreditam que as empresas deveriam ter profissionais negros nos processos de seleção e 24,1% sugeriram sistema de cotas para cargos de liderança nas empresas. “É preciso diversidade nos ambientes. As empresas sempre têm mais do mesmo, mesmo perfil, mesma roupa, mesma formação. Se você tem as mesmas pessoas com as mesmas competências você vai ter o mesmo olhar pra tudo. Se você não aceitar o diferente, como vai ser diferente?”, questiona Gilvan Bueno, Sócio fundador da Financier Educação SA e Financier Idiomas.

Educação antirracista continuada

Uma das práticas que mais podem fortalecer a imagem de uma empresa antirracista é a educação continuada de seus colaboradores. Neste quesito, a pesquisa mostra que 68,6% dos entrevistados ressaltaram a importância de educação e disseminação de informação dentro das empresas para criar um ambiente mais aberto à inclusão e pertencimento de pessoas negras. 40% acreditam no letramento racial e 20% em treinamento de sensibilidade. “É preciso ouvir o funcionário para entender suas necessidades. Não só nas conversas espontâneas, mas por meio de pesquisas internas, entendendo que a realidade dentro do ambiente de trabalho é diferente para cada um”, finaliza o documento. 

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