Pedreiro preso por ter sobrenome suspeito é solto após 88 dias

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Depois de ter a prisão preventiva revogada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), na última terça-feira (15), pedreiro Sandro dos Santos Castilho, de 44 anos, reencontrou a família, depois de ficar 88 dias detido, após ser identificado erroneamente como membro de uma organização criminosa devido ao “sobrenome suspeito”, na região de Boaçu, em São Gonçalo (RJ).

Sandro foi liberado do Complexo Penitenciário de Bangu, na segunda-feira (15) – Foto: Reprodução

A família de Sandro passou vários dias na porta do Presídio de Bangu, na Zona Oeste do Rio, lutando para provar que o parente foi preso injustamente. “Um sofrimento. Ele não merece, é um trabalhador. A pessoa honesta não merecia estar passando por isso. E isso ninguém vai pagar, é um preço que ninguém vai pagar, que vai marcar a vida dele para sempre”, disse Valéria Costa de Oliveira, esposa de Sandro, ao G1.

Na audiência de custódia, testemunhas de acusação disseram que as características de Sandro não coincidiam com as do suspeito Alexsandro Castilho, com o qual teve a identidade confundida. Assim, não reconheceram o pedreiro como sendo integrante da quadrilha, o que levou à soltura de Sandro. Ele, no entanto, ainda responde ao processo e aguarda a conclusão em liberdade.

Sandro foi preso injustamente durante uma blitz em Niterói, em 20 de março, quando estava indo à uma obra, em Camboinhas. Segundo os agentes, havia um mandado aberto em seu nome, quando Sandro foi levado a delegacia. O pedreiro foi Alexsandro Castilho, procurado pela polícia pela comercialização de drogas. De acordo com parentes de Sandro, ele não têm parentesco com a família Castilho que é procurada.

Durante os meses que Sandro ficou preso, a família fez manifestações e se uniu para provar a inocência dele. Os parentes tiveram que fazer uma vaquinha para pagar R$ 8 mil para um advogado defender o pedreiro.

A Polícia Civil negou que Sandro tenha sido preso por causa do sobrenome. Segundo eles, em um telefone apreendido haveria diálogos envolvendo o nome de Sandro. A polícia diz também que ele teria sido reconhecido por um integrante da quadrilha. Já a defesa de Sandro informou que o celular apreendido pertence a Aleksandro e que Sandro Castilho não foi reconhecido por nenhuma testemunha. O processo está sob sigilo, de acordo com o que foi informado pelo Tribunal de Justiça do RJ.

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