“Poderia ter sido eu”, diz Pai de Santo sobre assassinato de Mãe Bernadete

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Pai Cláudio de Oxóssi esteve presente na manifestação que ocorreu no Centro do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (24), e protestou contra o assassinato de Mãe Bernadete. Ele pediu o fim de genocídio negro e afirmou que outras pessoas poderiam ser alvo. “Ontem foi mãe Bernadete, assim como poderia ter sido eu”, disse ele.

O protesto fez parte de um ato nacional do Movimento Negro e demais movimentos parceiros, que ocorreu em 24 capitais e mais de 30 cidades pelo Brasil visando “o fim do genocídio negro”. A diretora da Federação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (FAFERJ) Lenilda Campos, também concedeu uma entrevista exclusiva ao Notícia Preta, falando sobre a violência que atinge constantemente corpos negros.

Pai Cláudio, é pai de santo da casa Ilê Axé Nitá Omin Odé, e disse que acompanhou a manifestação junto com seu filhos porque todos estão cansado dessa violência.Ontem foi mãe Bernadete, assim como poderia ter sido eu, tanto quanto outros zeladores, então a nossa luta, é pelo fim da impunidade, do massacre. O negro precisa sobreviver e viver, não somos ladrões, não somos bandidos, a gente precisa de espaço, nossas casas de matriz africana precisam ser respeitadas”.

Pai Cláudio de Oxóssi /Foto: Thayan Mina – Notícia Preta

Maria Bernadete era conhecida como Mãe Bernadete, e foi assassinada a tiros no dia 17 de agosto na Bahia. Ela era líder do no Quilombo Pitanga dos Palmares, município de Simões Filho e ex-secretária de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho (BA). A manifestação que ocorreu no Rio de Janeiro, começou na Igreja da Candelária e foi até o Largo da Carioca.

Segundo os organizadores do ato “Povo Negro Vivo”, 10 mil pessoas estiveram presentes no ato que também tratou da violência policial tanto no Estado, quanto em todo o país.

A Avenida Rio Branco, que foi palco de desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro durante muito tempo, ontem foi a avenida que serviu para mais uma manifestação da população negra. Mas dessa vez, o manifesto era contra a violência policial e a má gestão de segurança pública do Estado.

Clique aqui para conferir manifesto das organizações que participaram do ato.

Outro símbolo marcante do ato aconteceu no início da manifestação, quando Pai Cláudio regeu junto aos seus ogãs, um xirê ainda em frente à Igreja da Candelária.

Ato Nacional “Povo Negro Vivo” na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro – Foto: Thayan Mina – Notícia Preta

Pai Cláudio, também afirmou que não aguenta mais a violência e cobrou justiça e respostas pelos crimes cometidos contra pessoas negras.

“Olha o que aconteceu com Mãe Bernadete! Não podemos mais tolerar isso. Precisamos tomar atitudes, a justiça precisa nos ajudar. Não pode haver impunidades, só isso que a gente quer, não queremos briga com ninguém. A vida do negro é importante assim como as outras vidas. Viva o negro!”, disse o sacerdote.

A diretora da FAFERJ Lenilda Campos, estava na primeira fileira do ato junto de mães que perderam seus filhos assassinados pela violência. A ativista a protestou pedindo o fim desse universo violento. “Basta pras chacinas que tem acontecido nas favelas. A favela não tem bandido, a favela tem trabalhador, é potente, é amor, é respeito. Precisamos dar um basta nas mortes na favela e nesse governo do Cláudio Castro que tá matando primeiro pra perguntar se é trabalhador depois”.

Lenilda Campos ao centro da imagem utilizando um turbante. Ela estava na primeira fileira do ato junto a mães que perderam seus filhos – Foto: Thayan Mina – Notícia Preta

Nós mulheres negras, não negras, mães de favela, que perderam seus filhos, não aceitam mais esse descaso. Por isso nós estamos aqui: para dar um basta nesse governo genocida do Estado do Rio de Janeiro. Favela presente!“.

Além de Lenilda Campos e Pai Cláudio, sindicatos, associações de favela, partidos políticos, terreiros de candomblé e mais lideranças estiveram presentes reivindicando os direitos. Os pais de Thiago Menezes de 13 anos, assassinado na Cidade de Deus (RJ) em agosto deste ano, também estiveram presentes junto a familiares de outras vítimas da violência urbana.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Thayan Mina, graduando em jornalismo pela UERJ, é músico e sambista.

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