A ocupação urbana em áreas sujeitas a deslizamentos no Brasil mais que triplicou em quatro décadas, passando de 14 mil hectares em 1985 para 43,4 mil hectares em 2024. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (4) pela plataforma MapBiomas e mostram que a expansão de moradias nessas regiões ocorreu em ritmo superior ao crescimento urbano total do país.
No mesmo período, a área urbana brasileira aumentou 2,5 vezes. Já as construções em encostas e terrenos inclinados avançaram ainda mais rapidamente, ampliando a exposição de moradores a deslizamentos e outros impactos de eventos climáticos extremos.
As chuvas intensas registradas em fevereiro de 2026 em Juiz de Fora (MG) ilustram esse cenário. O município aparece como o terceiro do país com maior área urbanizada em terrenos inclinados, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo. Os deslizamentos ocorridos na cidade mineira deixaram 72 mortos.

Mayumi Hirye, uma das coordenadoras do mapeamento de áreas urbanas do MapBiomas, afirma que episódios como os registrados em Juiz de Fora tendem a atingir com maior intensidade territórios socialmente mais vulneráveis. Segundo ela, “incidem de forma mais dramática em áreas mais sensíveis e vulneráveis, cuja ocupação tem acontecido de forma mais acelerada do que o ritmo da urbanização total”.
O Ministério do Desenvolvimento Regional elaborou em 2012 uma lista com 861 municípios suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações. Em 2022, a relação foi ampliada para 1.942 municípios, cerca de 35% das cidades brasileiras.
A análise também mostra crescimento da urbanização em áreas com risco de enchentes e alagamentos. A ocupação nessas regiões passou de 493 mil hectares em 1985 para 1,2 milhão de hectares em 2024, aumento de 145%.
O levantamento aponta ainda que as favelas cresceram em ritmo mais acelerado que a expansão urbana total. A área urbanizada em comunidades passou de 53,7 mil hectares em 1985 para 146 mil hectares em 2024.
Em terrenos com alta declividade, as favelas aumentaram de 2.266 hectares para 5.704 hectares no período, crescimento superior a 150%. O estado do Rio de Janeiro lidera com 1.730 hectares, seguido por São Paulo, com 1.061, e Minas Gerais, com 1.057.
Também cresceu a presença de favelas próximas a áreas de drenagem. A ocupação nesses locais saltou de 15.847 hectares em 1985 para cerca de 45 mil hectares em 2024.
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