Masculinidades Negras – Além da virilidade e da violência

“Lacunas ocasionadas pela diferença entre gêneros nas relações afetivas”. Esta foi a motivação do psicólogo carioca Vinícius Dias, 36 anos, para a criação de um ciclo de debates sobre a masculinidade negra, em Brasília. Em pouco mais de dois meses, a iniciativa já resultou em um subgrupo para discutir empreendedorismo racial.

Homens trans, estudantes, intelectuais e profissionais de áreas diversas, de 22 a 30 anos, são a maioria do grupo. “Queremos dialogar com os que estão fora deste universo, ou seja, com quem tem pouco acesso à informação e à tecnologia”, afirma Vinícius. No Brasil, existem mais de 100 iniciativas similares, inclusive no Rio de Janeiro. No dia 24 de novembro, haverá mais uma rodada de conversas e para acompanhar é só seguir o Vinícius no Instagram.

Mas afinal, o que é Masculinidades?

Assim como a feminilidade foi socialmente construída para moldar as mulheres para a subalternidade, a masculinidade também é uma ideia pré-concebida para definir uma estética padrão. Até bem pouco tempo, a coragem, a independência e a assertividade eram atributos unicamente relacionados ao universo de homens brancos. Já a violência, a virilidade e a fortaleza, aos homens negros.

Segundo o sociólogo Deivison Nkosi Faustino, “O homem negro deve ser “macho ao quadrado” em todas as situações exigidas, e só a partir desses atributos será reconhecido. A própria afirmação do subalterno não prescinde dos atributos oferecidos pelo opressor, a ausência ou a deficiência de algum elemento relacionado ao corpo terá consequências catastróficas para a identidade deste homem”.

Já o Atlas da Violência publicado neste ano, afirma que das 61.283 mortes violentas registradas 2016 no Brasil, a maioria das vítimas são homens (92%), negros (74,5%) e jovens (53% entre 15 e 29 anos). Por outro lado, uma série de estudos denunciam a diminuição de investimentos em políticas de direitos humanos, desde 2015. O total de recursos federais destinado a políticas para mulheres, igualdade racial, LGBTs e direitos humanos caiu 35% em 2016 em relação ao ano anterior.

Para Vinícius, é muito importante que os homens discutam suas particularidades, sobretudo as fragilidades e a falsa sensação de segurança, impostas pelas masculinidades. Os debates desta natureza contribuem também, para a propagação de ideais mais igualitários, em especial, neste momento em que mortes provocadas por ódio de cor e gênero, estampam as capas de jornais e sites de notícias, todos os dias.

Fernanda Quevedo

é Mato-grossense e tem 32 anos. É redatora publicitária, escritora e social media. É formada em Serviço Social e pós-graduanda em Marketing. Já foi ativista pela democratização da comunicação e da Cultura, sendo uma das fundadoras da Midia Ninja e trabalhando em diversas organizações do terceiro setor em Cuiabá, São Paulo, Porto Alegre e Brasília. Hoje mora no Rio de Janeiro e realiza projetos e consultorias de letramento e escrita criativa digital.

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