Majur critica o Mês da Consciência Negra e propõe mudança de nome: “consciência branca”

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A cantora Majur provocou debate ao afirmar que o Mês da Consciência Negra, celebrado em novembro, perdeu o propósito e deveria ser repensado. Em entrevista ao Portal iG, ela disse que a data não cumpre a função de combater o racismo e apontou que o foco da reflexão precisa mudar.

Primeiro que a gente já deveria trocar o nome da consciência negra por consciência branca, porque não existe consciência para pessoas negras sobre racismo, que é feito por pessoas brancas, produzido por pessoas brancas e fomentado por pessoas brancas”, declarou.

Para a artista, o formato atual do mês reforça uma lógica problemática, na qual pessoas negras são responsabilizadas por educar a sociedade sobre temas que, segundo ela, já deveriam ser do conhecimento de todos.

Eu detesto esse mês. Absolutamente não faz sentido. É um mês onde a gente ganha um protagonismo gigantesco, mas que deveria ser o ano inteiro. Então, já começa errado”, afirmou. Majur acrescentou que novembro costuma transformar pessoas negras em explicadoras oficiais de práticas antirracistas. “É um mês que nós somos as pessoas que têm que ficar dizendo para as outras o que elas deveriam ou não fazer, sendo que todo mundo sabe o que é certo e o que é errado.”

A cantora também direcionou críticas à visão de meritocracia e à ausência de mudanças estruturais. Para ela, não há transformação verdadeira enquanto as bases que sustentam a desigualdade permanecem intactas. “A desigualdade foi criada por pessoas que nos enxergam com olhar de meritocracia, que é algo que nem existe num país que não tem igualdade. Transformou mulheres negras em mulheres empreendedoras ricas? Transformou homens e pessoas negras, crianças, dando mais oportunidades? Então, se isso não aconteceu, continua a mesma coisa.”

Em tom direto, Majur sugeriu a criação de um “Dia da Consciência Branca”, voltado para a reflexão e o compromisso de quem historicamente perpetuou o racismo. “Esse dia, sim, é o dia onde a pessoa branca lê um livro, sabe um pouco no Google, procura pesquisar através de leitores negros, escritores negros. Aí, sim, acho que a gente estaria conversando do lugar perfeitamente bem.”

Ao concluir, a artista reforçou que muitas iniciativas do mês têm caráter superficial e não enfrentam o problema de forma real. “É realmente um projeto super falido de dizer que está ajudando, de que vai transformar. Aí eu poderia dar um discurso aqui de parabéns. Ou não”, afirmou ela, que lançou o álbum Gira Mundo em 2025.

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