Juiz dá prazo de duas semanas para ex-funcionário da Tesla aceitar US$15 milhões por ressarcimento em caso de racismo

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O juiz federal dos Estados Unidos, William Orrick, definiu, nesta terça-feira (07), o prazo de 15 dias para Owen Diaz, ex-funcionário da empresa americana Tesla, aceitar a indenização de US$15 milhões em processo por racismo. Inicialmente, a quantia era de 137 milhões de dólares, concedidos por um júri em outubro de 2021, sendo 6,9 milhões em danos compensatórios e 130 milhões como punição à montadora.

A empresa responde a um processo de 4 mil ex-funcionários – Foto: Reprodução

A denúncia foi baseada nos abusos que Owen sofreu durante os 9 meses que trabalhou na empresa. Nesse período, entre 2015 e 2016, ele informa que os ex-colegas e superiores o fizeram trabalhar em um ambiente hostil, com insultos, caricaturas e suásticas na fábrica da Tesla em Fremont, Califórnia. Apesar de ter conseguido o valor inicial de 137 milhões, no dia 13 de abril o juiz Orrick reduziu ambos os pagamentos para 1,5 milhões em danos e 13,5 milhões em punição, além de ter negado a solicitação da organização para haver um novo julgamento.

De acordo com a jurisprudência, em julgamentos anteriores da Suprema Corte dos Estados Unidos, usualmente o pagamento de danos punitivos deve ser pelo menos de 10 vezes os danos compensatórios, no caso de Owen Diaz seria U$1,5 milhões, mais U$15 milhões, respectivamente, com o total de 16,5 milhões de dólares. Os advogados de Diaz não comentaram o assunto.

Não é a primeira denúncia de racismo na Tesla

Mais de 4 mil ex-funcionários negros já denunciaram e entraram com processo na justiça contra a empresa, através do Departamento de Emprego e Habitação da Califórnia, por racismo, sendo o maior número de processos contra uma mesma instituição privada por único motivo no estado.

Leia também: Funcionários denunciam racismo na Tesla

Monica Chatman, Kimberly Romby e Nigel Jones, ex-funcionários da empresa de armazenamento de energia e montadora de carros elétricos, informaram ao Los Angeles Time que sofriam agressões verbais e os funcionários negros eram obrigados a ficar no local mais desconfortável e desagradável da organização. 

O americano Melvin Berry, que também já trabalhou na Tesla por um ano, denunciou ter trabalhado mais horas que o normal e foi forçado a empurrar um carrinho mais pesado, por confrontar um supervisor por chamá-lo de “nigga” -palavra considerada ofensiva e racista nos EUA quando direcionada de uma pessoa branca para um negro. Em entrevista à Bloomberg News, ele falou sobre ter símbolos de ódio nas áreas comuns. Berry foi indenizado em agosto de 2021 em 1 milhão de dólares.

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