Jovem é demitido após denunciar racismo no ambiente de trabalho

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Douglas Ferreira, de 18 anos, repositor de mercadorias do Supermercado Vivendas, na região de Santa Maria, no Distrito Federal, diz ter sido vítima de racismo no ambiente de trabalho, no dia 12 de agosto. O jovem diz ter sido chamado de “preto sujo” e “saci pererê” por uma colega de trabalho.

O crime de injuria racial foi registrado 33ª Delegacia de Polícia, de Santa Maria, e após realizar o boletim de ocorrência o jovem, uma testemunha e mulher que cometeu o crime foram desligados da empresa.

A mulher foi presa em flagrante, mas pagou fiança, foi liberada e seu nome não foi divulgado.

Em nota o supermercado disse que este foi um caso isolado, que tem compromisso contra o racismo estrutural, e justificou as demissões alegando que os três funcionários foram desligados, devido ao um corte no quadro de funcionários por conta da pandemia.

Funcionário deste supermercado no Distrito Federal diz ter sido vítima de racismo, procura polícia, e é demitido

Nota do supermercado

“Na última sexta-feira (13/08/2021) [segundo a Polícia Civil, caso ocorreu na quinta (12)], o Grupo Vivendas teve um episódio isolado em suas dependências, em que dois colaboradores se desentenderam perante clientes e funcionários, tanto um, quanto outro, agredindo de forma recíproca, utilizando-se de palavras indecorosas, desmerecedora e até racistas.

A gravidade do episódio causou enorme sofrimento e indignação em todas as pessoas presentes (clientes e colaboradores), ali estando para trabalhar e adquirir produtos no varejo a suprir a alimentação, limpeza e higiene pessoal, o que causou enorme constrangimento aos presentes.

Atos racistas como o ocorrido na última sexta feira, por briga entre funcionários da empresa, são frequentes na vida das pessoas negras e devem ser combatidos firmemente, evitando qualquer forma de cumplicidade.

O Grupo Vivendas tem o compromisso de lutar contra o racismo estrutural e cobrará que sejam tomadas as providências necessárias por parte da gerencia e da Polícia Investigativa, local para onde os colaboradores em conflito foram encaminhados.

A permanência e funcionamento da empresa no local está sujeita a que sejam tomadas medidas concretas para que episódios como esse não se repitam. O Grupo Vivendas repudia de forma veemente toda forma de racismo. Como empresa varejista de alimentos e materiais de limpeza, é nossa responsabilidade enfrentar o racismo nos diferentes espaços que ocupa, de forma a promover lugares seguros e acolhedores para todos os corpos.

Na qualidade de fato isolado ocorrido no interior da empresa, em que dois colaboradores se desentenderam, sendo um Auxiliar de Serviços Gerais e outro Repositor, ambos em Contrato de Experiência até dia 27/08/2021, um deles já com pedido de desligamento em 10/07/2021, em virtude de redução de quadro por motivos da Pandemia de COVID-19, razão porque a empresa houve por bem não renovar o Contrato Temporário de Experiência de ambos.

Estes fatos ocorridos recentemente contra mulheres, indígenas, negras, negros, lésbicas, gays, transgêneros são profundamente lamentáveis, e chamam a atenção para a necessidade urgente de uma ação de ordem Federal mais profunda em relação ao racismo e toda e qualquer forma de discriminação, além da realização de atividades educativas, sem perder de vista os processos e possíveis desdobramentos punitivos.

Não se pode tolerar o questionamento de identidade étnica, sexual, de gênero, religiosa ou de qualquer natureza.

Assim, o Grupo Vivendas, como este ato, se solidariza com todos que têm sofrido algum tipo de constrangimento e discriminação, reafirmando o compromisso com a promoção da igualdade étnico-racial, de gênero, sexual, religiosa, repudiando toda e qualquer manifestação de preconceito para com negras, negros, indígenas, quilombolas, mulheres, homossexuais e todos os grupos sociais historicamente discriminados nesse país.”

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