As exportações brasileiras atingiram um recorde histórico em 2025, somando US$ 348,7 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) divulgados nesta terça-feira (06). O resultado, alcançado mesmo em um cenário internacional adverso, supera em US$ 9 bilhões o recorde anterior, de 2023, e consolida os últimos três anos como os melhores da história da balança comercial.
O desempenho recorde das exportações em 2025 ocorreu apesar de um cenário internacional adverso, marcado pela desaceleração do crescimento global, tensões geopolíticas e pelo avanço de políticas protecionistas nas principais economias do mundo.
O chamado “tarifaço”, com a ampliação de barreiras comerciais, subsídios internos e elevação de tarifas sobre produtos estrangeiros, especialmente em mercados centrais, aumentou os custos de acesso e reduziu previsibilidade para países exportadores. Ainda assim, o Brasil conseguiu expandir suas vendas externas, sustentado principalmente pela demanda por alimentos, energia e matérias-primas, o que reforça o peso do comércio exterior na economia nacional mesmo em um contexto internacional mais restritivo.

Apesar do crescimento expressivo, a estrutura das exportações revela a permanência do Brasil em uma posição subordinada na divisão internacional do trabalho. A concentração dos destinos evidencia essa dependência: a China absorveu 28,7% das exportações brasileiras em 2025, seguida por Estados Unidos (10,8%) e Argentina (5,2%).
Embora a indústria de transformação responda por 53% das exportações, os produtos líderes desse setor expõem limites importantes. Carne bovina, carne de aves, açúcares e melaço, celulose e óleos combustíveis figuram entre os principais itens exportados. Mesmo classificados como “transformados”, muitos desses bens passam por processos industriais simples, com baixo conteúdo tecnológico e reduzida agregação de valor. A exceção pontual, como aeronaves, não altera o perfil geral da pauta exportadora.
Na indústria extrativa (22%), predominam petróleo bruto, minério de ferro e minério de cobre, enquanto no setor agropecuário (25%) destacam-se soja, milho não moído, café não torrado e algodão. Trata-se, majoritariamente, de produtos primários ou semielaborados, altamente dependentes de preços internacionais e sujeitos à volatilidade do mercado global.
Esse padrão não é apenas contemporâneo: ele possui raízes históricas profundas. Produtos como açúcar, madeira e café (hoje ainda centrais na pauta exportadora) já estruturavam a economia brasileira durante o período do escravismo colonial, quando o país se especializou na produção de bens primários para abastecer os centros do capitalismo mundial. A permanência desses itens, séculos depois, indica não uma superação, mas a atualização de uma mesma lógica dependente.
Assim, o recorde de 2025, embora relevante em termos quantitativos, não representa uma mudança qualitativa na inserção internacional do Brasil. Sem uma estratégia consistente de reindustrialização, inovação tecnológica e diversificação produtiva, o crescimento das exportações tende a reforçar, e não romper, a posição subordinada do país na economia global.
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