“Eu ainda era negra”, diz Halle Berry ao afirmar que Oscar não mudou sua carreira em Hollywood

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Mesmo após fazer história ao vencer o Oscar de Melhor Atriz, Halle Berry afirma que o reconhecimento máximo do cinema não alterou sua trajetória profissional. Segundo entrevista concedida à revista The Cut e repercutida pelo Deadline, a atriz diz que a estatueta não foi suficiente para derrubar as barreiras raciais que enfrentava em Hollywood.

Premiada em 2002 por sua atuação em A Última Ceia, ela segue, até hoje, como a única mulher negra a conquistar a principal categoria feminina de atuação da Academia. A expectativa, no entanto, não se confirmou nos bastidores.

“Aquele Oscar não necessariamente mudou o curso de minha carreira. Depois que ganhei, achei que ia aparecer um caminhão de roteiros estacionando na porta da minha casa.”

Apesar do orgulho pela conquista, Berry relata que a realidade permaneceu a mesma no dia seguinte. “Embora eu estivesse imensamente orgulhosa, na manhã seguinte eu continuava sendo uma mulher negra.”

.Mesmo após vencer o Oscar de Melhor Atriz, Halle Berry afirma que o reconhecimento máximo do cinema não alterou sua trajetória profissional – Foto: reprodução Instagram.

De acordo com a atriz, produtores e diretores ainda questionavam a escalação de protagonistas negras, temendo impactos comerciais. “Diretores ainda estavam se perguntando ‘Se colocarmos uma mulher negra nesse papel, o que isso significa para a história toda? Preciso escalar um ator negro? Aí vira um filme negro. Filmes negros não vendem no exterior’”.

Berry também contou que já conversou sobre o peso simbólico do prêmio com Cynthia Erivo, indicada três vezes ao Oscar. “Você merece pra caralho, mas não sei se isso vai mudar a sua vida. Isso não pode ser a validação do que você faz, certo?”.

A atriz defende que reconhecimento profissional não deve depender apenas de troféus. Anos depois, ao vencer a Framboesa de Ouro por Mulher-Gato, fez questão de comparecer à cerimônia. “Eu sempre soube que aquele Oscar não me tornou a melhor, assim como o Razzie não me torna a pior”.

As declarações reacendem o debate sobre racismo estrutural e oportunidades desiguais na indústria cinematográfica.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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