Estudo revela que 65% dos candidatos a prefeito das capitais são brancos

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Negros são minoria nas eleições das capitais brasileiras – Gráfico: Fernando Bertolo (Brasil de Fato)

Um levantamento, realizado pelo jornal Brasil de Fato, mostrou que, das 26 capitais brasileiras, 317 candidatos estão registrados nos Tribunais Regionais Eleitorais e apenas 107 são negros, representando 33,75%, enquanto os candidatos brancos representam 65,61%, totalizando 208 candidaturas. A pesquisa mostrou também que a proporcionalidade caiu, em relação às eleições de 2016. No último pleito municipal, 210 candidaturas foram registradas nas capitais e, destas, 135 eram de pessoas brancas e 75 de negros, correspondendo a 35,3%.  

Para Douglas Belchior, um dos fundadores da Coalizão Negra por Direitos, o índice de candidaturas negras ainda é pífia, atendendo aos anseios de uma sociedade racista. “O que esses partidos têm a oferecer à sociedade brasileira? Mais do mesmo: lideranças e projetos políticos brancos, num exercício contínuo de retroalimentação da hegemonia branca, seja entre os conservadores de direita, com seu ranço escravocrata, seja na esquerda com sua síndrome de super-heróis. Corajosos heróis brancos, líderes da massa dos miseráveis negros, com as quais têm zero afinidade racial e de classe. Isso é o Brasil”, afirmou. 

Ainda de acordo com a pesquisa, o ano de 2016 e 2020 coincidem no número de capitais com maioria de candidaturas negras. Tanto nas eleições anteriores quanto deste ano, sete capitais têm maioria negra: Goiânia (GO), Aracajú (SE), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Manaus (AM), Salvador (BA) e Teresina (PI).

Sem candidatos negros

As três capitais da região sul não terão nenhum candidato negro. Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre somam, ao todo, mais de 3,5 milhões de habitantes, 37 candidatos às prefeituras e todos são brancos. 

Autodeclaração

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 56,10% dos brasileiros se autodeclaram negros (somatório de pardos e pretos), mas essa proporcionalidade naõ se reflete nas candidaturas ou em representatividade. “Os partidos permanecem coerentes ao que é o Brasil racista em que vivemos”, enfatizou Belchior.

Legendas

Os partidos esquerdistas detém 36 candidaturas negras nas capitais, sendo PSOL (12), PSTU (11), PCdoB (5), PCO (4), PT (4) e UP (3). Ainda de acordo com o levantamento, outras 71 candidaturas negras estão divididas entre 24 partidos de centro ou centro direita e três legendas não terão candidatos negros nas capitais, PTB, PCB e NOVO. 

Belchior ressalta que alguns partidos são criados com fins específicos de angariar fundos para políticos e aliados. “Temos partidos históricos que representam segmentos importantes da sociedade. E há aqueles, a maioria, que são fisiológicos e funcionam como empresas eleitorais, um grande e rendoso negócio”. Belchior lembra que a esquerda brasileira é mais ligada às questões sociais, mas, ainda assim, as lideranças são brancas. “Esses defendem interesses mais próximos da justiça e direitos sociais. Por isso sou filiado a um que, deste ponto de vista, me representa. Mas o que todos esses partidos têm em comum? São hegemonizados por brancos. Nisso são iguais, o racismo os atravessa da mesma maneira”, finalizou.

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

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