Estudo do IBGE situa 1 de cada 4 brasileiros sob a linha da pobreza

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Fonte: Conteúdo Estadão

O auxílio emergencial evitou, temporariamente, o agravamento da pobreza no País em 2020, em meio ao choque da covid-19, mas parece ter apenas anestesiado o problema. Com o vaivém do benefício do ano passado para este, a miséria espreita os brasileiros mais vulneráveis. Sem os programas sociais, os 10% mais pobres da população teriam sobrevivido o ano passado com apenas R$ 13,00 por mês, ou R$ 0,43 por pessoa a cada dia.

A conta – excluindo da composição do rendimento familiar os valores recebidos com o auxílio emergencial e com benefícios estaduais e municipais complementares – divulgada na última sexta (03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é hipotética, mas bem poderia descrever a realidade de muitos brasileiros que enfrentaram a crise da pandemia sem o auxílio emergencial.

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Embora estude a desigualdade de renda no Brasil há anos, Marcelo Medeiros, professor visitante da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, se disse “chocado”. Com os benefícios governamentais, o grupo de 21 milhões de brasileiros mais pobres sobreviveu em 2020 com R$ 128 mensais por pessoa da família. Embora ainda insuficiente, o montante representa uma alta de 14,9% ante os R$ 111 mensais de 2019.

A injeção bilionária de recursos extraordinários fez o número de brasileiros abaixo da linha de pobreza do Banco Mundial cair, em 2020, ao menor nível desde 2014. Ainda assim, praticamente um em cada quatro brasileiros (24,1% da população) viveu abaixo dessa linha no ano passado. São quase 51 milhões de pessoas com menos de R$ 450 por mês. Não fossem os programas de transferências de renda, o contingente seria quase um terço da população (32,1%). Em 2019, a proporção era de 25,9%.

Mesmo com o auxílio emergencial, 12,046 milhões (5,7%) viveram abaixo da linha de miséria (rendimento médio mensal de R$ 155 por pessoa) em 2020, o menor nível desde 2015. Sem os benefícios, seriam mais do que o dobro: 27,313 milhões (12,9% dos habitantes, ante 6,8% em 2019). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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