Dona Ivone Lara inspira Lei do Dia da Mulher Sambista no Rio de Janeiro

A Câmara Municipal de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou a Lei nº 5.146 que inclui o Dia da Mulher Sambista no calendário da cidade. A comemoração será sempre no dia 13 de abril, dia em que nasceu a cantora e compositora  Dona Ivone Lara.

De autoria do vereador Tarcísio Motta (PSOL), a lei foi uma sugestão da página “Sambistas da Depressão” ao parlamentar. A lei foi aprovada dia 6 de dezembro e sancionada no último dia 04.

Segundo o parlamentar, com a data no calendário oficial da cidade, há o incentivo a eventos e espaços de discussão em que o foco é a produção, participação e criação das mulheres sambistas: “O Dia da Mulher Sambista é o reconhecimento da participação importantíssima de mulheres no mundo do samba, poucas vezes valorizadas enquanto compositoras. E, por isso, não poderíamos deixar de escolher o 13 de abril. Data de nascimento da grandiosa Dona Ivone Lara. Sua vida e sua trajetória no samba representam a resistência da mulher, da mulher negra como compositora e realizadora em um universo historicamente dominado por homens”.

Yvonne Lara da Costa, nascida em 13 de abril de 1922 e conhecida como Dona Ivone Lara, foi uma das compositoras mais importantes da história brasileira. Oriunda de uma família de instrumentistas, Ivone teve como professores de música erudita Zaíra de Oliveira, esposa do compositor Donga, e Lucília Villa-Lobos, casada com o maestro Heitor Villa-Lobos.

Ivone também se destacou no campo da enfermagem, dedicando boa parte da sua vida adulta à área da saúde, sempre reservando as horas de lazer para as rodas de choro e de samba. Foi uma das profissionais que trabalhou com Washington Loyello e Nise da Silveira no antigo Hospital Pedro II, no engenho de dentro, onde a história da psiquiatria brasileira sofreu uma grande transformação.

Aos 30 anos, Ivone começa a frequentar a escola de samba Império Serrano. Compôs alguns sambas e partidos-altos para a agremiação — que eram mostrados aos outros sambistas pelo primo Fuleiro, como se fossem dele — já que o preconceito não abria espaço para mulheres compositoras. Depois de muita luta consegue reverter este quadro e se torna a primeira mulher a integrar a ala dos compositores de uma escola de samba.

Apenas quando completa 56 anos de idade, Ivone lança seu primeiro disco, “Samba Minha Verdade, Samba Minha Raiz”, e nas décadas seguintes consagrou-se como grande compositora com músicas gravadas por Clara Nunes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Beth Carvalho e Marisa Monte. Entre seus maiores sucessos estão “Sonho meu”, “Acreditar” e “Alguém me avisou”.Ao longo da carreira, compôs mais de 300 canções e gravou cerca de 20 discos, tornando-se a maior compositora de samba de todos os tempos.

Cintia Cruz

Formada em Jornalismo pela PUC-Rio, em 2008, é mãe do Benício, moradora da Baixada Fluminense e tem 36 anos. Trabalhou na Rádio MEC, trabalhou como assessora de imprensa, escreveu para a Revista Raça Brasil e foi freelancer do Canal Futura. Desde 2010, é repórter do Jornal Extra.

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