Dia da Visibilidade Trans: 81% das pessoas assassinadas são negras

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29 de janeiro é o Dia da Visibilidade Trans, mas os números são estarrecedores. Um levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado nesta sexta-feira (28), revela que, em 2021, 140 pessoas trans foram assassinadas no Brasil. Deste total, 81% são pessoas negras.

Ainda segundo a Antra, a cada 10 pessoas mortas no mundo, 4 são no Brasil. Os números de 2021 são superiores à média dos últimos anos, que ficou em 123,8 casos ao ano. “A violência contra as pessoas trans são praticados, principalmente em virtude do preconceito, políticas institucionais antitrans, impunidade e desrespeito em geral”, afirma a entidade.

Cinco Homens trans foram assassinados em 2021 – Foto: Pexels

O relatório da Antra revela ainda que 138 pessoas trans foram mortas no Brasil e 2 em outros países, uma na França e outra em Portugal. Além disso, em 2021, foram 135 assassinatos de travestis e mulheres trans e outros cinco casos de pessoas transmasculinas e homens trans.

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Quando se fala em regionalização dos assassinatos, o Sudeste lidera, com 49 casos, e São Paulo é o Estado que mais mata pessoas trans no Brasil, totalizando 25 mortes. Outro dado revelado pelo dossiê da Antra é que 10% dos casos noticiados na mídia não respeitam a identidade de gênero e 17% dessas notícias revelam o nome de registro das vítimas.

Profissionais do Sexo

O relatório mostra também que 78% das vítimas, em 2021, eram travestis e mulheres trans, profissionais do sexo, e, segundo a Antra, esse grupo é o mais vulnerável às diversas formas de violência. “Elas empurradas para a prostituição compulsoriamente pela falta de oportunidades, onde muitas se encontram em alta vulnerabilidade social e expostas aos maiores índices de violência, a toda a sorte de agressões físicas e psicológicas”, afirma o relatório.

A entidade também revela que, de acordo com o levantamento, 65% das pessoas trans que trabalham com a prostituição desenvolveriam outra atividade, se houvesse oportunidades. A Antra informou que, para a realização do dossiê, foram consultadas as fontes oficiais, como órgãos de segurança, entidades de classe e também não oficiais, como relatos de testemunhas e postagens nas redes sociais.

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