O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSD), afirmou que Renato Freitas (PT), é um dos poucos deputados estaduais negros da atual legislatura que “se vitimiza o tempo todo”. Os dois acabaram batendo boca em plenário, mas Traiano cortou o microfone do petista e chamou o corregedor para falar com ele em reservado, dando a entender que irá abrir um procedimento no Conselho de Ética contra o deputado.
A história começou porque Renato vem travando uma intensa disputa com um membro da ultradireita evangélica na Assembleia, o Missionário Ricardo Arruda (PL). Os dois já chegaram a trocar acusações. Mas ao contrário do que acontece em geral em situações desse gênero, Traiano decidiu que a Presidência deveria tomar lado – no caso, tomar as dores de Ricardo Arruda.
Renato Freitas, um dos principais líderes do movimento antirracista no estado, tinha rebatido Arruda, afirmando que sentia orgulho das vezes em que foi abordado pela polícia, uma vez que nunca teria cometido crime e sempre foi parado ou por racismo ou por se recusar a aceitar de cabeça baixa ordens autoritárias.
Traiano começou seu discurso dizendo que Renato “é um vencedor” por ter conseguido se eleger. Mas logo em seguida disse que o deputado precisa “parar de se vitimizar”, afirmando inclusive que Renato usaria “a estratégia da vitimização” para se manter na imprensa o tempo todo. Renato, que já não estava na tribuna, pediu respeito. “O senhor me respeite!”. Traiano disse que dedicava a ele o “respeito que ele merecia”. E cortou seu microfone.
Renato Freitas continuou exigindo compostura do presidente, lembrando que ele não poderia ser julgado ali, já que se tratava do plenário, e não do Conselho de Ética. Traiano, irritado, chamou o corregedor Artagão Júnior (PSD) para falar com ele em reservado e suspendeu a sessão. Depois, anunciou que medidas serão tomadas “para os dois lados”.
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