Depois de dois anos, ninguém foi punido pelos 80 tiros em Evaldo dos Santos

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O músico Evaldo dos Santos foi alvejado com 80 tiros por agentes do exército – Foto: Arquivo Pessoal

Na última quarta-feira (07), completou-se dois anos do assassinato de Evaldo Rosa dos Santos. O músico estava a caminho de um chá de bebê com a família quando seu carro foi alvejado com mais de 80 tiros disparados por militares do Exército. O catador de recicláveis Luciano Macedo, que tentou ajudar a vítima, também foi fuzilado e morreu 11 dias depois. O crime aconteceu próximo a Favela do Muquiço, bairro de Guadalupe, no Rio de Janeiro. 

De acordo com a Rede Observatórios de Segurança, ao todo, 257 tiros foram disparados contra o veículo. Destes, 62 atingiram o carro de Evaldo. A esposa, o filho – que tinha 7 anos na época -, a amiga e o sogro de Evaldo conseguiram sair do carro a tempo. 

Nove militares que atiraram naquela tarde respondem, na justiça militar, por homicídio, tentativa de homicídio e omissão de socorro. Na época, o Exército alegou que os soldados se depararam com um roubo na localidade e que a primeira rajada de tiro que atingiu Evaldo era para evitar o crime.

Operação Militar controversa

A Agência Pública teve acesso a documentos e depoimentos oficiais que mostraram que os militares acusados não estavam em um “patrulhamento regular”. Na verdade, eles estavam atuando na Operação Muquiço, realizada de fevereiro a junho de 2019, com pelotões da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, inclusive o 1º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola), ocupando a favela de mesmo nome. 

Sendo assim, não havia autorização legal para os militares agirem em prol da segurança pública, o que só é permitido por um decreto de Garantia da Lei e da Ordem assinado pelo presidente da República, de acordo com o artigo 142 da Constituição. 

Na manhã do dia 8 de abril, o Comando Militar do Leste (CML) publicou um comunicado com o título: “Acerca dos fatos envolvendo militares do Exército que realizavam patrulhamento regular no perímetro de segurança da Vila Militar”. No entanto, segundo apurou a Agência Pública, a nota era enganosa.

Família ainda aguarda o julgamento que não tem data prevista – Foto: Arquivo Pessoal
Julgamento dos envolvidos é suspenso

Dia 7 de abril, seria o julgamento dos militares envolvidos, porém, a audiência foi suspensa e não tem previsão para acontecer. A Justiça Militar é a responsável por julgar militares das Forças Armadas acusados de crimes dolosos contra a vida de civis em ações de segurança pública. 

Em entrevista à Agência Pública, Luciana Nogueira, viúva de Evaldo, comentou sobre o processo na Justiça Militar. “Olha, é tudo muito lento, as coisas são muito obscuras, porque eles [os militares] são julgados por eles mesmos. E peço muito a Deus que envie pessoas humanas para estar julgando tudo isso, que eles possam, pelo menos um pouquinho, sentir a minha dor”, afirmou. 

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