Brasil registra recorde histórico de denúncias de trabalho escravo em 2025

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O Brasil atingiu em 2025 o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão desde o início da série histórica. Ao longo do ano, foram registradas 4.515 denúncias, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O número representa um aumento de 14% em relação a 2024, quando haviam sido contabilizadas 3.959 ocorrências, até então o maior volume já registrado.

Os dados indicam uma tendência de crescimento contínuo das denúncias nos últimos anos. Em 2021, foram 1.918 registros. Em 2022, o total subiu para 2.084. Já em 2023, houve um salto para 3.430 denúncias, seguido por novo recorde em 2024. O avanço observado em 2025 consolida o trabalho escravo contemporâneo como um problema persistente no país.

Entre as denúncias registradas estão casos envolvendo adultos e crianças submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, servidão por dívida e restrição de liberdade. Todas essas práticas configuram crime segundo a legislação brasileira. Janeiro de 2025 foi o mês com o maior número de denúncias desde a criação do Disque 100, em 2011, com 477 registros apenas nos primeiros 31 dias do ano.

Desde que o canal passou a receber notificações sobre trabalho escravo, mais de 26 mil denúncias já foram feitas em todo o território nacional, de acordo com o MDHC. Os números das denúncias acompanham o volume de resgates realizados pelo poder público. Em 2024, 2.186 pessoas foram resgatadas de situações análogas à escravidão no Brasil, segundo dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Desde 1995, quando o Estado brasileiro reconheceu oficialmente a existência de formas contemporâneas de escravidão, cerca de 65,6 mil pessoas já foram resgatadas em mais de 8,4 mil operações fiscais realizadas no país. As ações são conduzidas, principalmente, pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, com apoio das superintendências regionais do trabalho.

Em 2024, os setores com maior número de resgates foram a construção civil, o cultivo de café, o cultivo de cebola, serviços de preparação de terreno e a horticultura. Os dados também apontam uma mudança relevante no perfil do problema: 30% dos trabalhadores resgatados estavam em áreas urbanas, indicando a ampliação do trabalho escravo para além do meio rural.

O Disque 100 funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados, e recebe denúncias gratuitas e anônimas. O governo federal também disponibiliza o Sistema Ipê, canal online específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão, sem necessidade de identificação do denunciante.

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