A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que ocorre no Senado, aprovou nesta terça-feira (31) novos requerimentos de convocação e medidas de investigação que ampliam o alcance das apurações sobre possíveis conexões entre estruturas do Estado, o sistema financeiro e organizações criminosas. Entre as decisões do colegiado está a convocação dos governadores Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, e Ibaneis Rocha, do Distrito Federal.
Os dois já haviam sido convidados anteriormente, mas não compareceram às oitivas. No caso de Castro, os senadores querem esclarecimentos sobre operações de segurança pública e a atuação de facções criminosas no estado. Já Ibaneis deverá responder a questionamentos relacionados ao Banco Master, às relações com o empresário Daniel Vorcaro e às negociações envolvendo uma tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB).
A CPI também aprovou a convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ele havia sido chamado duas vezes na condição de testemunha, mas não compareceu após apresentar habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal.

O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou a falta de uma definição clara sobre os limites de atuação das comissões parlamentares de inquérito e pediu que o Supremo estabeleça parâmetros. “O mínimo que tinha que ser feito era, com todo o respeito ao Supremo, uma padronização de procedimentos. A CPMI e a CPI podem quebrar sigilo? Pode? Vai ter que ter condicionantes? Não vai ter condicionantes? E coloca no plenário e vota a maioria, porque aí a gente tem que cumprir a decisão judicial”, afirmou.
Outros requerimentos também foram aprovados. A CPI determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, referente ao período entre 1º de janeiro de 2022 e 2 de março deste ano.
O colegiado ainda aprovou a convocação de Renato Dias de Brito Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, de Yan Felix Hirano e do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
Segundo o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), os depoimentos buscam esclarecer responsabilidades e possíveis vínculos entre agentes públicos e mecanismos de lavagem de dinheiro.
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