Consumidores negros movimentam US$ 45 bilhões em moda e bem-estar, mas ainda são pouco representados pelas marcas

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O poder de consumo da população negra vem ganhando cada vez mais relevância no mercado global, especialmente nos setores ligados à moda, beleza e bem-estar. Um relatório da consultoria internacional McKinsey & Company aponta que esses consumidores já movimentam bilhões de dólares nesses segmentos, ao mesmo tempo em que ainda enfrentam baixa representatividade nas estratégias de produtos e comunicação adotadas por muitas marcas.

O estudo aponta que o poder econômico da população negra vem ganhando relevância em diferentes mercados globais. Segundo a McKinsey, esse público pode movimentar até US$ 1,7 trilhão na economia mundial até 2030, influenciando decisões de empresas nos Estados Unidos, Brasil e outros países.

Historicamente, o mercado consumidor negro já movimenta cerca de US$ 910 bilhões. Dentro desse cenário, o segmento ligado à moda, beleza e bem-estar representa uma parcela significativa do consumo, associada não apenas a produtos, mas também a valores ligados à identidade e ao pertencimento.

Os consumidores negros demonstram preferência por marcas que refletem qualidade, autenticidade e engajamento com questões sociais relevantes – Foto: Pexels

Apesar da importância econômica desse público, o relatório indica que a indústria da moda ainda apresenta lacunas quando se trata de atender plenamente consumidores negros, principalmente em aspectos como diversidade de tons de produtos, representatividade nas campanhas e experiências de compra.

Para a consultora de imagem e comunicóloga Cáren Cruz, investidora do programa Shark Tank Brasil e fundadora da Pittaco Consultoria, o consumo dentro das comunidades afrodescendentes está cada vez mais ligado à construção de identidade e reconhecimento social.

O significado de pertencimento aqui não é se sentir bem de forma abstrata. É a experiência concreta de entrar em um espaço, circular, comprar e ser reconhecida sem precisar diluir a própria identidade para ser aceita”, explica Cáren.

Segundo ela, o chamado “mercado da autoestima” envolve um conjunto amplo de serviços e produtos que vão além da roupa em si. Cabelo, maquiagem, acessórios, fotografia, consultoria de imagem e branding pessoal fazem parte de um ecossistema que conecta aparência, identidade e expressão cultural.

“Não se trata apenas de escolher peças de roupa. É decidir o que a minha presença comunica. A aparência vira uma linguagem com intenção”, afirma a especialista.

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Cáren também destaca que, para pessoas negras, a forma como a imagem pública é construída pode ser interpretada de maneira diferente em ambientes sociais e profissionais.

“Os códigos não verbais costumam ser lidos com um nível de vigilância maior no caso das pessoas negras. Muitas vezes a aparência vira prova, filtro de credibilidade ou até pretexto para julgamento”, diz.

Nesse contexto, ela avalia que o consumo orientado pela valorização da identidade e da autoestima tem potencial para transformar não apenas o mercado, mas também a forma como a sociedade reconhece referências culturais e estéticas.

“Quando pessoas negras investem em produtos e serviços que respeitam sua estética, elas estão dizendo que escolhem como querem ser vistas e reconhecidas”, afirma.

Para a consultora, esse movimento pode pressionar empresas a repensar produtos, comunicação e posicionamento. “Quando a narrativa visual muda, muda também quem é reconhecido como digno de prestígio, cuidado e visibilidade”, conclui.

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