“Campanha é disputa de imaginário”, diz especialista ao defender comunicação decolonial nas Eleições 2026

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De acordo com a Investida do Shark Tank Brasil, Cáren Cruz, os discursos decoloniais são ferramentas-chave para campanhas de comunicação e políticas de diversidade. - Foto: Pexels

A comunicação decolonial tem ganhado espaço no debate público e começa a integrar estratégias eleitorais com a aproximação das Eleições 2026. O conceito propõe revisar padrões considerados neutros na linguagem institucional e questiona códigos historicamente associados à legitimidade, autoridade e representação social.

A discussão parte da análise de que normas de comportamento, estética, entonação e postura foram estruturadas a partir de referências coloniais que definiram quais vozes seriam reconhecidas como competentes nos espaços de poder. Em ambientes corporativos, acadêmicos e políticos, esses critérios ainda influenciam percepções sobre profissionalismo e excelência.

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De acordo com a Investida do Shark Tank Brasil, Cáren Cruz, os discursos decoloniais são ferramentas-chave para campanhas de comunicação e políticas de diversidade. – Foto: Pexels

Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 112 milhões de brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos, o que representa a maioria da população. Para especialistas, esse cenário demográfico pressiona campanhas políticas a reverem formatos tradicionais de comunicação.

A comunicóloga Cáren Cruz, CEO da Pittaco Consultoria e participante da 9ª edição do Shark Tank Brasil, afirma que o conceito vai além da escolha de palavras. “Comunicação decolonial é quando a gente para de chamar de neutro aquilo que foi treinado como regra. Não é apenas sobre palavras, mas sim o pacote completo de códigos: o jeito de falar, vestir, a estética aceitável, a postura profissional”, explica.

Para ela, a revisão desses códigos impacta diretamente o sentimento de pertencimento e a ocupação de espaços institucionais. “O que chamam de padrão muitas vezes é só um costume colonial, com cara de excelência. Quando a comunicação muda, o corpo muda junto. A pessoa não precisa performar distanciamento para ser lida como competente”, afirma.

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No contexto eleitoral, Cáren avalia que campanhas disputam símbolos e referências sociais. “Campanha é disputa de imaginário. E se o eleitorado negro é maioria num país como o Brasil, não faz sentido insistir numa linguagem que trata a negritude como tema, e não como centro de experiência social”, diz.

A especialista também aponta que narrativas decoloniais têm sido incorporadas a políticas de diversidade e estratégias institucionais. Segundo ela, a proposta é ampliar a noção de referência social. “A comunicação decolonial não é apenas falar de diversidade, mas sobre mudar o que a sociedade chama de referência. É reeducar o olhar sobre quem é lido como preparado ou confiável”, conclui.

Analistas indicam que o tema deve ganhar visibilidade ao longo do ciclo eleitoral, especialmente em campanhas que buscam ampliar conexão com diferentes segmentos da população e dialogar com a diversidade racial e cultural do país.

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