O governo federal firmou nesta quinta-feira (26) um acordo para nacionalizar a produção de um dos principais medicamentos de imunoterapia contra o câncer. A parceria entre o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD prevê a fabricação do pembrolizumabe no Brasil, com o objetivo de ampliar o acesso ao tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS).
O medicamento já tem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é indicado para quase 40 tipos de tumores. Atualmente, ele é amplamente utilizado na rede privada, mas tem uso restrito no SUS devido ao alto custo. Uma única sessão no setor privado pode chegar a cerca de R$ 97 mil, e o tratamento contínuo ultrapassa centenas de milhares de reais.

Diferente da quimioterapia, que atua diretamente sobre as células tumorais, as imunoterapias estimulam o sistema de defesa do organismo. O pembrolizumabe bloqueia mecanismos que os tumores usam para escapar da ação das células de defesa, permitindo que o sistema imunológico volte a atacar o câncer.
No SUS, o acesso ao imunoterápico está limitado ao tratamento de melanoma avançado. A inclusão para outros tipos, como pulmão, mama, esôfago e colo do útero, ainda depende de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O Ministério da Saúde afirma que a decisão considera benefícios clínicos e o impacto financeiro.
A previsão é que a transferência de tecnologia da MSD para o Butantan ocorra em até dez anos. A produção nacional deve reduzir os custos e viabilizar a ampliação do uso no sistema público.
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