Arte e ballet clássico que transformam

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Conheça o Projeto na ponta dos pés, que vem mudando a realidade de meninas no Complexo do Alemão

Projeto na ponta dos pés Foto: Arquivo Tuany

“Ballet é amor em forma de movimento”. Esta frase retrata bem a utilização desta arte em alguns lugares do país. Não é de hoje que artistas anônimos das periferias de todo o Brasil utilizam a arte como ferramenta de transformação e desenvolvimento social. 

Na última semana, conhecemos a notável Tuany Nascimento, que com apenas 25 anos, está transformando a vida de 50 meninas no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão – Rio de Janeiro, com Ballet Clássico. Ela protagonizou uma longa reportagem no Jornal Nacional e apresentou ao mundo o “Projeto Na Ponta dos Pés”. 

“Eu tinha vergonha de falar onde eu morava por conta do preconceito”, relata a bailarina e ex atleta de ginástica rítmica. Tuany encontrou na dança uma forma de enfrentar todos os desafios que uma moradora de favela encontra ao tentar seguir uma carreira artística. 

Vendo seus sonhos desmoronar por conta das dificuldades, a jovem decidiu parar de dançar. Mas para não se distanciar do seu amor pela dança, resolveu montar um projeto social, dentro da sua própria comunidade.

Foto: Agência O Globo

O Projeto

“Eu comecei a trabalhar, mas nunca deixei de dançar. Vinha todos os dias para a quadra da comunidade. No primeiro, apareceu 7 meninas e hoje somos 50 bailarinas treinando neste espaço”. Sem barras, espelhos e outros materiais apropriados para a prática do balé. 

O projeto quer ensinar conhecimentos técnicos e teóricos do balé clássico, para meninas entre 3 a 18 anos. O intuito desenvolver nelas a ideia de crescer de forma diferente, se valorizando e se reconhecendo como parte da sociedade. As atividades são totalmente gratuitas e a única exigência é que todos estejam matriculados na rede de ensino. 

Por diversas vezes as aulas são interrompidas devido ao constante conflito na região. A luta atual é para conseguir finalizar a obra da sede do projeto, um Centro Comunitário, livres dos tiroteios. O espaço adequado para as aulas de dança também será um espaço cultural. O Projeto Na Ponta do Pés lançou um crowdfunding para adquirir recursos, onde todos podem colaborar, não apenas com a Tuany, mas com toda a comunidade. 

Viver de arte clássica no Brasil

Teatro Municipal por exemplo, já se viu obrigado a suspender concertos por falta de recursos, mas recentemente voltou a encenar balés e concertos ao meio-dia, a R$ 10. Embora existam  diversos esforços por parte de profissionais da cultura e também de organizações do terceiro setor, o investimento é cada vez menor por parte dos governos, o que obriga centenas de artistas, assim como Tuany, a desistir da arte como profissão. 

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Fernanda Quevedo

é Mato-grossense e tem 32 anos. É redatora publicitária, escritora e social media. É formada em Serviço Social e pós-graduanda em Marketing. Já foi ativista pela democratização da comunicação e da Cultura, sendo uma das fundadoras da Midia Ninja e trabalhando em diversas organizações do terceiro setor em Cuiabá, São Paulo, Porto Alegre e Brasília. Hoje mora no Rio de Janeiro e realiza projetos e consultorias de letramento e escrita criativa digital.

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