O publicitário e relações públicas Anderson Oliveira se tornou o primeiro profissional negro a assinar a lista de convidados do Rio Fashion Week, que acontece entre os dias 14 e 18 de abril, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro.
A função, considerada estratégica dentro da indústria da moda, envolve a curadoria de quem ocupa os espaços mais visíveis do evento, incluindo desfiles e ativações de marcas. Historicamente, esse tipo de posição é ocupado por profissionais ligados a redes tradicionais de influência, com baixa presença de pessoas negras.

Natural de Recife, Anderson construiu sua trajetória atuando na conexão entre marcas, artistas e experiências culturais. Atualmente, ele é responsável pela área de negócios e relacionamento do Open Air Brasil, projeto reconhecido como o maior cinema a céu aberto do mundo.
No currículo, o profissional acumula participações em eventos como Afropunk Brasil, Camarote Folia Tropical, Negritudes Globo e Prêmio Potências Negras, iniciativas que têm em comum a valorização da cultura negra e de narrativas diversas.
No Rio Fashion Week, além da lista geral de convidados, Anderson também atua como RP de desfiles de marcas como Apartamento 03 e Dendezeiro. Ele ainda assina a curadoria de convidados do desfile da TV Globo, que apresenta figurinos da novela “A Nobreza do Amor”.
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Para o profissional, ocupar esse espaço tem um significado que vai além da conquista individual. “Não se trata de ser o único, mas de abrir caminhos para que muitos estejam”, afirmou.
A presença de Anderson em uma função de influência dentro de um dos principais eventos de moda do país ocorre em um contexto em que o setor ainda enfrenta críticas sobre a falta de diversidade, especialmente nos bastidores e nos espaços de decisão.
Ao assumir esse papel, ele passa a interferir diretamente em quem tem acesso a esses ambientes, o que impacta não apenas a visibilidade, mas também as oportunidades de circulação e networking dentro da indústria.
Especialistas apontam que a ampliação da diversidade em posições estratégicas pode contribuir para mudanças estruturais no setor, historicamente marcado por exclusões de raça e classe.
A atuação de Anderson Oliveira reforça esse movimento e evidencia como a presença negra em cargos de decisão pode influenciar a forma como a moda brasileira se organiza, se comunica e se conecta com o público.










