STJ concede às famílias de Marielle e Anderson acesso aos autos da investigação

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Na tarde desta terça-feira (18), a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade aceitar o pedido das famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes para acessarem os autos da investigação sobre os mandantes do assassinato da vereadora e do motorista.

O ministro Rogerio Schietti Cruz, que é relator do caso, afirmou durante o julgamento que o assassinato da vereadora aconteceu não só por ser uma parlamentar em defesa de direitos humanos, mas também por se tratar de uma uma mulher negra, periférica e bissexual. Após o voto do relator a favor do pedidos, os demais ministros votaram em concordância com o magistrado.

STJ
Vereadora do Rio de Janeiro foi assassinada em março de 2018. Foto: Reprodução

O pedido das famílias já tinha sido feito, anteriormente, ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e foi negado. A advogada do Comitê de Justiça por Marielle e Anderson, Luciana Cristina, disse durante o julgamento que as negativas quanto aos pedidos de acesso das famílias aos autos da investigação constituem uma violação do direito do acesso à Justiça, previsto na Constituição Federal e nas normativas internacionais.

Ela também destacou que o pedido das famílias tem o intuito de garantir o acesso às provas que já foram produzidas pela investigação. Durante todo o julgamento, o perfil do Instituto Marielle Franco destacou as decisões tomadas pelos ministros, a relevância nacional e internacional do caso e a urgência em obter respostas, comemorando a decisão final.

O caso

Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados em março de 2018, no Rio de Janeiro. A vereadora e o motorista haviam saído de um evento com mulheres negras na Lapa, quando foram surpreendidos por 13 disparos de arma de fogo contra o carro em que estavam.

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Ao longo dos 5 anos de investigações, o caso já contou com uma sucessiva troca de comandos, com 5 delegados e 3 equipes de promotores diferentes. Em 2020 o pedido de federalização do caso feito pela Procuradoria Geral da República (PGR) foi negado pelo STJ, que na época foi comemorado pela família das vítimas.

Mas com a troca de governo após as eleições de 2022, a família mudou de posição. Recentemente foi instaurado um novo inquérito da Polícia Federal para ampliar a colaboração com as investigações sobre o caso, de forma complementar.

Atualmente apenas os executores do crime foram identificados, e estão presos aguardando julgamento. São eles o sargento da Polícia Militar reformado Ronnie Lessa, acusado de ter sido o autor dos disparos, e o ex-policial militar Elcio Vieira de Queiroz, que teria dirigido o veículo que perseguiu o de Marielle e Anderson.

Bárbara Souza

Bárbara Souza

Formada em Jornalismo em 2021, atualmente trabalha como Editora no jornal Notícia Preta, onde começou como colaboradora voluntária em 2022. Carioca da gema, criada no interior do Rio, acredita em uma comunicação acessível e antirracista.

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