O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que o objetivo do Bolsa Família é garantir proteção social enquanto as famílias superam a situação de pobreza. Em entrevista concedida nesta quinta-feira (12), à rádio Fan, o ministro disse que o programa não foi criado para manter beneficiários permanentemente na assistência.
“Nós não queremos que as pessoas permaneçam pelo resto da vida no Bolsa Família. Queremos que elas cresçam, que elas possam, não só sair da pobreza, possam crescer, ir para a classe média, alta, poder ter a condição de lazer”, afirmou.

Durante a entrevista, Wellington Dias destacou que o governo federal tem orientado a gestão do programa a garantir que o benefício chegue a quem realmente se enquadra nos critérios. Segundo ele, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é garantir acesso ao benefício para quem tem direito.
“A ordem do presidente Lula é clara: direito para quem tem direito. Quando aparece algum caso que não se enquadra, isso é sinalizado e analisado pela equipe”, disse o ministro.
Wellington Dias também rebateu críticas de que o programa estimularia dependência. De acordo com ele, a própria regra do Bolsa Família prevê a saída das famílias quando a renda melhora.
“Pessoas saem do Bolsa Família quando saem da pobreza. Essa é a regra estabelecida. Eu estou dizendo: 20 milhões de pessoas saíram da pobreza. Saíram porque foram para uma elevação de renda, ou pelo emprego, ou pelo empreendedorismo. É isso que nós queremos”, afirmou.
O Bolsa Família foi retomado em 2023 com uma nova estrutura de benefícios e condicionalidades. Em 2026, o valor base permanece em R$ 600 por família, podendo chegar a uma média aproximada de R$ 690 devido aos adicionais pagos conforme a composição familiar.
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Entre os complementos mantidos estão o pagamento de R$ 150 por criança de até seis anos e R$ 50 para gestantes ou jovens entre 7 e 18 anos. O programa atende famílias com renda per capita de até R$ 218 mensais.
Segundo dados do governo federal, o orçamento previsto para o Bolsa Família em 2026 é de aproximadamente R$ 158,6 bilhões. O número de famílias beneficiárias também passou por revisões cadastrais nos últimos anos. Em dezembro de 2022, o programa atendia cerca de 21,6 milhões de famílias. Em 2026, a estimativa é de cerca de 18,8 milhões de beneficiários.
A partir de janeiro deste ano, o Ministério da Educação e o Ministério do Desenvolvimento Social intensificaram o controle das condicionalidades ligadas à educação. Para permanecer no programa, crianças de 4 a 6 anos precisam ter frequência escolar mínima de 60%, enquanto jovens de 6 a 18 anos devem atingir 75%.
Dados recentes do Cadastro Único indicam que o programa segue tendo forte presença de mulheres como titulares. Em fevereiro de 2026, cerca de 84,4% dos responsáveis familiares que recebem o benefício eram mulheres.
O recorte racial também mostra predominância da população negra entre os beneficiários. Cerca de 73,2% das pessoas atendidas pelo programa se identificam como pretas ou pardas, o que reflete as desigualdades sociais históricas registradas no país. Entre os grupos atendidos, as mulheres negras representam a maior parcela de beneficiárias.









