Produção global de café deve bater recorde, mas preço segue alto no Brasil

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A projeção de uma safra recorde de café no mundo para 2026/2027 não significa, necessariamente, queda rápida do preço para o consumidor brasileiro. Um relatório do Rabobank estima que a produção global pode alcançar 180 milhões de sacas de 60 kg no ciclo que começa em outubro, com destaque para a recuperação do arábica no Brasil, atribuída a condições climáticas favoráveis.

No mercado interno, porém, o café segue pressionando o orçamento das famílias. No atacado, os preços mostram recuo em relação ao fim de 2025, mas o repasse ao varejo costuma ocorrer com defasagem. O indicador do café arábica CEPEA/Esalq registrou cotação de R$ 1.781,98 por saca em 23 de fevereiro de 2026. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) também aponta que, entre 2021 e 2025, o preço ao consumidor subiu 116% e que a tendência é de manutenção de patamar elevado em 2026, mesmo com perspectiva de maior oferta.

Exportação de café do Brasil cai em 2025, mas bate recorde em receita – Foto: Pexels

Especialistas do setor indicam que parte da “contradição” se explica pelo funcionamento do café como commodity global. O Brasil é o maior produtor e exportador do grão há mais de 150 anos, respondendo por cerca de um terço da produção mundial, e isso aumenta a integração do preço doméstico às cotações internacionais e ao câmbio. Em 2025, por exemplo, o país exportou 40,049 milhões de sacas, com queda em volume, mas receita recorde de US$ 15,586 bilhões, impulsionada por preços mais altos e valorização do produto.

Outro fator é o nível de estoques. A Conab projeta produção de 66,2 milhões de sacas beneficiadas em 2026, em cenário de bienalidade positiva. Ainda assim, entidades do mercado avaliam que os estoques globais estão ajustados e que parte da safra adicional tende a recompor reservas e atender demanda externa, o que limita alívio imediato no varejo.

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A dinâmica da demanda também pesa. Relatórios sobre o mercado asiático apontam expansão acelerada de redes de cafeterias no Leste Asiático e na China, ampliando a disputa por oferta no comércio internacional. Somam-se custos logísticos: o Cecafé calculou prejuízos com gargalos portuários e transporte ao longo de 2025, um componente que pode pressionar a cadeia de preços.

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