A morte de Júlio Cesar Paulo, jovem negro de 20 anos, após uma abordagem da Polícia Militar em São José do Rio Pardo, no interior paulista, é investigada oficialmente como “morte suspeita”, mesmo diante de relatos de agressões por parte de policiais. Júlio deu entrada no Pronto-Socorro Municipal às 12h23 de 10 de janeiro, levado em uma viatura da PM, e não por equipe do Samu.
De acordo com relatório da Santa Casa de Misericórdia, apresentava febre, taquicardia e pressão baixa. Internado na UTI, morreu às 21h11 do dia seguinte. Segundo a Ponte Jornalismo a prefeitura informou que o Samu não participou do atendimento. A Resolução nº 5/2013 da Secretaria da Segurança Pública determina que, em casos de “lesões corporais graves, homicídio, tentativa de homicídio”, inclusive ocorrências envolvendo policiais, o socorro deve ser acionado “para pronto e imediato socorro”. Questionada, a SSP-SP não explicou o motivo do transporte ter sido feito pela viatura.

No prontuário médico, consta que o paciente tinha “história de perseguição pela polícia” e “provável hipótese” de intoxicação exógena, com referência a “substância não identificada”.
Segundo relatos Júlio e outro jovem teriam sido alcançados após correrem de uma abordagem e, mesmo sem nada ilícito encontrado, teriam sido algemados e agredidos com tijolos, pedaços de madeira e as próprias algemas. Segundo esses relatos, as agressões continuaram quando ele começou a convulsionar.
A versão oficial diverge. Em nota, a SSP-SP afirmou que policiais atenderam denúncia de invasão de propriedade rural e que, “durante a coleta de dados”, Júlio passou mal, sendo levado ao hospital. O caso é apurado por inquérito, e a Corregedoria declarou estar disponível para investigar eventuais irregularidades.
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